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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Campinas, para além do turismo de negócios

(Não se esqueçam, basta clicar nas fotos que elas ficam ainda maiores! Depois é só dar "esc" e voltar a ler)



A viagem
 

Cidades: Campinas e Nova Odessa
Data: 16/09 a 18/09/2016

Convenhamos, escolher Campinas como destino turístico para um final de semana não é uma decisão das mais ortodoxas. A cidade é muito mais usada para turismo de negócios, já que está entre as dez mais ricas do Brasil, e é o terceiro maior polo de pesquisa e desenvolvimento brasileiro (dá-lhe Wikipédia). Mas precisávamos de um destino que fosse relativamente perto de São José dos Campos, e que não fosse muito caro. E tínhamos vontade de conhecer melhor esta cidade para a qual ambos já tínhamos ido, mas nunca para fazer turismo do jeito que a gente gosta. Eu tinha ido visitar meu bom amigo André Guesse, e Chris tinha ido para...turismo de negócios!

Seguem abaixo as atrações que conhecemos na cidade, em ordem cronológica, e ao final um pequeno adendo sobre a cidade de Nova Odessa, a 30 quilômetros de Campinas, e que também conhecemos rapidamente.

Claro que o primeiro passo foi nos dirigirmos ao:

Hotel Opala Barão

É fato, não fica numa região muito bonita da cidade. É bem no centrão, e centrão de cidade grande nenhuma costuma ser bonito. A região está um tanto degradada, com prédios abandonados, pichados e sem cuidados. Existe alguma sensação de insegurança à noite, mas nada digno de filme de terror. Tivemos um pequeno problema ao sermos colocados em um quarto sem varanda, quando eu tinha dito no ato da reserva que um dos hóspedes era fumante. Mas fomos rapidamente realocados, sem muita burocracia, e ficamos satisfeitos com o atendimento. O café da manhã não era dos deuses, mas resolvia a fome matinal. As diárias ficaram em R$ 158,35 cada, já contando a taxa de ISS. Um bom custo-benefício, já que a localização, embora num local não muito bonito, era boa, perto dos principais restaurantes e bares da cidade, e colado na Igreja Matriz.


Uma geral do quarto com os pombos

Cara de quem não gostou da vista

Na noite de sexta em que chegamos, fomos ao:

Bar Brejas

O nome não engana: a especialidade da casa são mesmo as cervejas. Mais do que isso, a principal característica de seu cardápio de petiscos é harmonizar cada um deles com as mais de cem cervejas disponíveis. Para quem gosta (longe de ser nosso caso, imagina) é um prato cheio. Gostamos sempre de tomar a cerveja fabricada na cidade, mas só havia a opção de um chopp IPA da Cervejaria Landel (R$ 14,90, 500ml). Acabamos tomando, mas sentimos falta de outras opções locais. Harmonizamos o chopp com uma porção de croquete recheado com queijo brie (R$ 37,90, 10 unidades). Depois pedimos uma cerveja defumada Bamberg Rauchbier (R$ 16,90, 355ml), fabricada na cidade de Votorantim (a 105 quilômetros de Campinas), que juntamos, seguindo sugestão do cardápio, com tiras de filé de frango à milanesa com molho barbecue (R$ 45,90). Achamos bastante interessante a proposta, e gostamos da qualidade dos petiscos escolhidos, bem como da temperatura de cada cerveja, sempre de acordo com cada estilo. E claro, adoramos o fato de haver um cercadinho do lado de fora onde é permitido fumar.


O cercadinho do lado de fora para os fumantes fumarem

Tudo harmonizando no cardápio do Bar Brejas

Felizes e prontos pra harmonizar

Já no sábado, a primeira coisa que fizemos foi visitar a:

Catedral Basílica de Nossa Senhora da Conceição

Ficava bem pertinho do nosso hotel, bastava virar uma esquina, na Rua da Conceição, para avistá-la, imponente. Construída em taipa no século 19, seu "amarelão" chama a atenção de longe, bem como a torre com o sino e as estátuas do lado de fora. Do lado de dentro são bonitos os entalhes em madeira, cheios de detalhes. A Praça José Bonifácio, em frente, concentra uma grande quantidade de moradores de rua, chaga incontornável "nas grandes cidades de um país tão irreal", como diria Humberto Gessinger.


Chris hipnotizada em direção ao "amarelão"

Carinha de sono, porque viajante madruga

Chris "biserva" os entalhes em cedro

Em seguida fomos até a:

Praça Antônio Pompeo e Monumento-túmulo de Carlos Gomes
 

Eu não sabia, mas o famoso maestro Carlos Gomes, autor de O Guarani e um dos mais importantes compositores clássicos brasileiros, nasceu em Campinas. Seu monumento-túmulo foi inaugurado em 1905, quando seu corpo foi trazido de Belém do Pará, onde faleceu em 1896. Ao redor da praça, além de alguns prédios pichados e mal conservados, está o Jockey Clube Campineiro, construção em estilo eclético, de 1925, e que está em bom estado de conservação.

Aí reside o que resta do Carlinhos Gomes, desde 1905

Chris doida pra entrar no Jockey, que estava fechado

Colado à Praça Antônio Pompeo está o:

Largo do Carmo e Basílica de Nossa Senhora do Carmo

Esta igreja foi a primeira matriz de Campinas, e em seu entorno é que a cidade foi construída inicialmente. O Largo do Carmo é considerado o marco zero da fundação da cidade. A igreja está em boas condições, tanto por dentro quanto por fora. Chamam a atenção as belas pinturas no altar-mor, feitas pelo italiano Gaetano Miani. Havia alguns moradores de rua vendendo balas do lado de fora, e também no interior da basílica, em busca da caridade católica que nem sempre é encontrada.


Já mais acordadinhos, pra visitar outra igreja

Uma boa geral da primeira matriz, com o Fê lá longe

Claro que não podíamos ficar sem visitar a:

Feira Hippie
 

Acontece aos sábados e domingos pela manhã, na Praça Imprensa Fluminense, no charmoso bairro de Cambuí. Como em toda cidade grande, Campinas mostra seus contrastes, já que o supracitado "charmoso bairro de Cambuí" fica a cerca de 10 minutos de caminhada da "região (...) um tanto degradada, com prédios abandonados, pichados e sem cuidados" onde estávamos hospedados. A feira é bem variada, com venda de roupas, artesanato, comida e uma área dedicada às antiguidades, com venda de vinis, moedas e cédulas antigas, entre outras coisas que estão na moda em tempos de dominância do retrô e do vintage.

À esquerda caminha Chris, rata de feiras hippies

No início da tarde fomos conhecer o:

Bosque dos Jequitibás
 

Bem próximo ao centro da cidade, não tem como fugir ao clichê de chamá-lo de oásis no meio da selva urbana. A entrada é gratuita. O bosque, criado em 1888, possui alguns animais soltos (avistamos cotias e pavões), além de um pequeno Museu de História Natural, serpentário e aquário (só com peixes ornamentais). Estes três são visitados com um ingresso único que custa R$ 2. Não dá  pra dizer que não vale a pena, embora sejam todos bem modestos. Já o minizoo, que pode ser acessado sem pagar ingresso, não é tão mini assim, e conta com razoável quantidade de animais, além de bons recintos para eles. Há hipopótamos, onças, lontras, aves, entre outros animais de pequeno e médio porte. O bosque também conta com algumas lanchonetes, loja com lembrancinhas (bem pequenina) e a Casa do Caboclo, uma imitação da casa de um caboclo (jura?), que estava fechada para visitação interna durante nossa visita. O bosque está bem cuidado e limpo.

Vamos passear no bosque?

"Preguiça sou eu!", "Não, preguiça sou eu!"

Dessas aí o Fê já pegou até no colo, não sente medo nenhum

O peixe mais bonito mal dá pra ver, ali onde a Chris aponta

A casa é du cabocro, má o cabocru num tava

Tchaikovsky e seu Lago dos Cisnes

Atendendo à Chris, o hipo abriu a bocarra

No meio da tarde rumamos para os:

Distritos de Sousas e Joaquim Egídio
 

Ficam a cerca de 10 quilômetros de Campinas, e a mudança de cenário é radical. Saem os prédios gigantes entram as pequenas casas e construções típicas de uma cidade do interior. O clima é tranquilo, ideal para o glorioso esporte de sentar e tomar uma. Há também trilhas ladeando rios, a antiga estação de trem e ruas de paralelepípedo. Em Joaquim Egídio sentamos no bar Armazém da Estação, e ficamos um tempo vendo a vida passar. Em seguida fizemos parte da trilha à beira rio (ou beira-córrego), e depois rumamos para Sousas, onde tomamos sorvete e perambulamos um pouco pelas ruas de paralelepípedo. Os restaurantes mais famosos lotam de famílias, já que boa parte tem espaços abertos, bons para a criançada. Pela estrada também é possível encontrar lojinhas de artesanato e empórios. 

Clima bucólico na antiga estação

O glorioso esporte

Chris molha os pés, e somente eles, no raso córrego

Todo o charme das ruas de "paipípu"

No finzinho da tarde fomos conhecer o:

Parque Portugal

Também conhecido como Lagoa do Taquaral, é o lugar onde os campineiros vão para fazer suas caminhadas na pista de cooper (meio detonada, é verdade), e onde as crianças podem se entreter com pedalinhos, parque infantil, planetário, passeio de bonde e viveiros de pássaros. Há também uma réplica da caravela Anunciação, usada por Pedro Álvares Cabral durante as grandes navegações. Há visita interna à caravela, que infelizmente não fizemos porque chegamos tarde ao parque. Pelo mesmo motivo, também não fizemos o passeio de pedalinho, mas deu para ver que alguns deles imitam  a caravela, enfeitando a lagoa ao lado dos indefectíveis pedalinhos com formatos de cisnes. Visitar o parque é um passeio bastante agradável, e um clássico para os moradores da cidade. Sempre ficamos felizes em ver os espaços públicos sendo usados pelos locais.


A Chris tá de frente e a caravela tá de costas

Chris de olho nas capivaras na Lagoa do Taquaral

Atos que desafiam a morte

À noite saímos para jantar no:

Restaurante Matisse

Esta experiência está relatada com detalhes (ambiente, avaliação, preço, etc) em nosso outro blog, que pode ser acessado aqui.


No dia seguinte, um domingo de sol, saímos de Campinas e nos dirigimos à cidade vizinha de Nova Odessa, distante apenas 30 quilômetros, onde visitamos o:

Jardim Botânico Plantarum

Considerado o maior jardim botânico da América Latina em quantidade de espécies. O número é mesmo impressionante: quase quatro mil espécies diferentes de plantas, separadas em jardins temáticos, todas com suas respectivas identificações. Muito bem cuidado e bem estruturado, o jardim ainda oferece um pequeno mapa para ajudar o visitante em suas andanças. São 80.000 m² de área, que podem ser percorridos, sem pressa, em cerca de uma hora de passeio. Quem é estudioso do assunto tem motivos para ficar muito mais do que isso. Há muitos lugares belíssimos, com paisagismo caprichado, além de um belo lago e pequenas lagoas. O dedinho nervoso na máquina fotográfica é inevitável, como ficará comprovado aí abaixo. O ingresso custa R$ 25.


Chris querendo ser levada pela ninfa

O lago tem até um índio em sua canoa

A natureza ofuscada pela Chris

Casal florido

Uma faz charme ao lado das flores...

...outro se expõe ao ridículo com o boitatá

Lavandas, a Chris, o lago, só beleza

Melhor focar nas flores

Intervenção dramática

Nossa espécie preferida

Conclusão

Como se vê, Campinas tem atrações suficientes para um bom final de semana de passeio. Vale lembrar que a atração turística mais famosa da cidade é um passeio de maria-fumaça que vai até a cidade de Jaguariúna, passando pelo distrito de Tanquinho. Acabamos não fazendo este passeio porque já tínhamos feito parte dele no sentido inverso, saindo de Jaguariúna, por isso não demos prioridade e ele desta vez. A vizinha Nova Odessa pode ser facilmente conhecida em um bate e volta, acrescentando uma riqueza "botânica" à viagem. Claro que, por ser uma cidade grande, com mais de um milhão de habitantes, a cidade sofre com os problemas típicos das metrópoles brasileiras. Outro problema, desta vez financeiro, é a grande quantidade de pedágios que existem na boa Rodovia D. Pedro I. Gasta-se mais de trinta reais na viagem de São José dos Campos até lá, num percurso de apenas 150 quilômetros. Mas ainda assim conseguimos atingir nosso objetivo de não gastar muito dinheiro e passar um final de semana agradável.   


Causos e anedotas de viagem:

1 - O rottweiler alérgico a água limpa

Estávamos no distrito de Joaquim Egídio, e Chris molhava seus pés no córrego de águas límpidas, depois de fazermos uma curta trilha. Eu, de tênis e meia, e sem ter levado toalha, preferi ficar de fora, apenas tirando fotografias. Eis que chega um casal da terceira idade com seu rottweiler. Os dois se aproximam, me cumprimentam, e começam um pequeno debate sobre se devem ou não soltar a Chiquita. Um diz que sim, o outro diz "será, bem?", até que o homem resolve me interpelar:

- Moço, essa água é limpa?
- Não faço a menor idéia, senhor - respondo, sem pestanejar.

Depois de algum tempo pensando, ele me diz:

- E ela entrou assim mesmo?
- Entrou - respondo, desta vez demonstrando certa surpresa com a pergunta.

Eles então conversam mais um pouco e decidem que Chiquita não merecer ser exposta ao risco. Mas, para minha surpresa, o homem resolve que ele mesmo vai entrar. Tira as chinelas,  mas se detém por um instante. Então diz à esposa:

- Melhor não entrar. Cortei minha unha do pé hoje cedo, e fiz um cortezinho, se a água for suja eu posso me contaminar.




Clara, notória e evidentemente, um chiqueiro


2 - Fê e a problemática dos pandas

No Parque Portugal havia algumas estátuas de ursos-pandas. Não eram lá muito bem feitas, mas turista adora tirar foto em bobeiras desse tipo. Na verdade quem queria era eu, que falei para a Chris que nunca vi um panda, então era a chance de eu tirar umas fotos com alguns deles, nem que fossem de mentira. Mas ao lado das estátuas havia um banquinho cheio de gente. E homem é cheio de vergonha de fazer coisas assim meio "femininas", como tirar fotos fofas com estátuas de pandas, na frente de desconhecidos. Então arquitetamos um plano. Nos aproximamos das estátuas e Chris falou "olha amor, tira uma foto minha aqui!". Fiz minha melhor cara de enfado, tipo "que bizarro isso", e  bati a foto. Em seguida ela disse, bem alto pra todos ouvirem, "agora vai você, se abaixa ali que eu tiro". E lá fui eu, a "contragosto", tirar uma foto com os pandas.



"Ai ai, mulher tem cada uma"



 


 

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Vale Europeu, entre alemães e italianos (Parte I)

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A viagem

Cidades: Pomerode, Timbó, Rio dos Cedros e Doutor Pedrinho
Data: 09/03/2016 a 13/03/2016

Entramos na última etapa da série de postagens sobre nossa viagem por Santa Catarina. Esta última etapa, por ter sido a mais longa, será dividida em duas partes. Mas antes de falarmos do Vale Europeu, é importante dizer como funciona o turismo no estado. Existem dez regiões turísticas, separadas por proximidade, claro, mas também por costumes e identidades parecidas. Cada uma dessas regiões tem um guia turístico em papel, cheio de fotos, detalhes e dicas de cada cidade. Estes guias podem ser facilmente encontrados nas secretarias de turismo, centros de informação ao turista, etc. São muito bem feitos, e facilitam muito a vida do viajante. São produzidos em conjunto pelos governos federal, estadual e municipal. Prova de que quando deixam as disputas de lado os governantes tem condições de fazer coisas decentes.

O Valeu Europeu, também conhecido como Vale do Itajaí, deve seu nome a seus colonizadores. A partir do século XIX, muitos imigrantes europeus chegaram ao Brasil, e se instalaram na região, principalmente alemães, e posteriormente italianos. Ali eles receberam lotes de terra e usaram seus conhecimentos de agricultura para criar um "Brasil europeu". Muitas dessas colônias acabaram se transformando em cidades, que tem as influências européis presentes até hoje nos costumes, nas festas, na culinária e até no idioma.

Nesta primeira parte, falaremos mais demoradamente sobre as cidades de Pomerode e Timbó, onde nos hospedamos, e mais rapidamente sobre Rio dos Cedros e Doutor Pedrinho, onde tivemos passagens mais curtas.

Como foi dito na postagem anterior (que pode ser lida aqui), saímos de Treze Tílias e seguimos viagem, passando por várias cidades até finalmente chegarmos a:

1 - Pomerode
 

Não por acaso, é conhecida como "a cidade mais alemã do Brasil", embora seus primeiros habitantes, que fundaram a colônia em 1863, tenham vindo da região da Pomerânia, que tem língua própria, e foi disputada por diversos países ao longo dos tempos. É daí, resta claro, que vem o nome da cidade. Alguns habitantes de Pomerode ainda falam o pomerano, enquanto os outros se dividem entre o alemão e o português. A cidade só se emancipou de Blumenau em 1959, sendo portanto uma menina bonita de apenas 57 anos. Vale lembrar, em nome da História, que os primeiros habitantes de fato da região eram os índios carijós e xogleng, que foram exterminados pelos portugueses no século XVI.

Chegamos à cidade à noite e fomos direto para a:

Pousada Blauberg

A pousada é boa. Assim, sem exclamação nenhuma. Foi nossa sensação ao chegar, e se manteve a mesma até saírmos. Quarto confortável mas um pouco apertado, café da manhã razoável, atendimento dentro do previsto. Com TV de tela plana ("alguém usa das outras?", você pode perguntar, e eu respondo que sim), frigobar, varandinha, bom chuveiro, localização boa para quem estiver de carro. Tudo por R$ 210 a diária.


A fachada toda charme

O quarto com nem tanto charme

Mas a varanda e a modelo são charme puro

Quem chega na cidade vindo da BR-470 já dá de cara com o:

Portal Turístico Sul

Um portal de cidade pra turista nenhum botar defeito. Normalmente os portais são apenas um lugar pra parar o carro e bater umas fotos, mas aqui a coisa é diferente. Pra começar, é lindo. Pra secundar, é um excelente lugar para comprar artesanato, já que hospeda a Associação dos Artistas e Artesãos de Pomerode. Hospeda também o Centro de Informações Turísticas, além de ficar em uma praça bonita que tem um bar/restaurante que acabamos não conhecendo. E também, por último mas não menos importante, para alegria da Chris, é possível tirar fotos com trajes típicos alemães. E de graça!


Ainda com nossos trajes típicos

E agora os colonos alemães calçando tênis

Para continuarmos no campo dos portais, do outro lado da cidade está o:

Portal do Imigrante Wolfgang Weege (Portal Norte)

Embora não tenha tantas atrações quanto seu correlato, possui um componente histórico importante: é uma réplica perfeita do Portal de Stettin, capital da Pomerânia entre 1720 e 1945, cidade de onde saíram os primeiros colonizadores da região. Fica ao lado da fábrica da Malwee, empresa têxtil famosa no Brasil inteiro.



Tudo molhado no Portal Norte

Uma das primeiras atrações que conhecemos em Pomerode foi a:

Vila Encantada

Aconteceu algo curioso. Ainda era cedo e chegamos, eu e Chris, para comprar o ingresso. A moça do caixa olhou para nós dois e perguntou "o ingresso é pro zôo ou pra Vila Encantada mesmo?". Vale dizer que o zoológico de Pomerode fica bem ao lado da Vila Encantada. Mas acho que o espanto da moça era mesmo pelo fato de dois adultos, sem criança alguma por perto, estarem fazendo uma visita ali. Dá pra entender o espanto, já que o lugar é mesmo focado nos pequenos. Há réplicas de dinossauros, supostamente em "tamanho real", um pequeno circuito de aventuras, piscina de bolinhas e coisas desse tipo. E custa R$ 20 por cabeça. E no caso o ingresso valeu a cabeça da Chris sendo ingerida por um T-Rex. 



"Domino a fera e ainda poso pra foto"


Outros não tiveram a mesma sorte

Claro que na sequência visitamos o:

Zoo Pomerode

É o primeiro zoológico de Santa Catarina e o terceiro mais antigo do Brasil, fundado em 1932. É uma instituição privada, que se iniciou com a coleção particular de Hermann Weege, um dos pioneiros da região. Embora não seja muito grande, é de impressionar o cuidado com os animais e a qualidade dos recintos e instalações. Há animais dificilmente vistos em outros zoos pelo Brasil, como o mangusto, animal famoso por enfrentar cobras venenosas. Uma amostra do bem-estar dos animais é a procriação em cativeiro, que pode ser observada no recinto dos hipopótamos, com um filhote rechonchudo sendo protegido pela mãe. Destaque negativo para alguns recintos de aves de grande porte (condor, águias), muito pequenos para seu tamanho.



O filhote rechonchudo e a mãe


O pequenino mangusto, enfrentador de cobras


As onças que enfrentamos sem grade nenhuma entre nós, crês?


Depois do Fê o bichinho que a Chris mais gosta é o urso

Em frente ao zoo está o:

Museu Pomerano

Fruto de um trabalho do colecionador Egon Tiedt, falecido em 2008, o museu traz dezenas de objetos utilizados pelos primeiros habitantes da cidade. A grande atração é o acervo de veículos de tração animal, muitos deles usados por trabalhadores, como o leiteiro e o carteiro. Há também um veículo fúnebre, chamado de caleça, que foi utilizado pela última vez para levar o corpo de Egon Tiedt até seu destino final, seguindo seu pedido expresso antes da morte, como resta claro.



A carroça dos coelhinhos


O carro fúnebre

Tivemos o privilégio de estar na cidade durante a:

Osterfest

Como já dissemos nas postagens anteriores, Santa Catarina adora a Páscoa. Em todas as cidades pelas quais passamos as decorações e o interesse na festa é muito maior do que estamos acostumados em outros pontos do Brasil, e isto vem obviamente da tradição dos europeus, mais notadamente dos alemães. Em Pomerode é celebrada a Osterfest, ao estilo alemão. A cidade inteira é decorada com as osterbaum, árvores secas decoradas com ovos, simbolizando a ressureição de Cristo. Embora a celebração possa ser vista na cidade inteira, o epicentro da bagunça se dá no Centro Cultural de Pomerode, pertinho do zoo. Ali está, segundo os organizadores, a maior osterbaum do mundo. Também há apresentações de música típica, estandes de comida, casa do coelhinho, entre outras atrações.



A maior do mundo. Ou não.


Chá das cinco com a coelhada toda

Não muito longe dali, vale a pena conhecer o:

Monumento aos Imigrantes Alemães

Retrata um momento típico dos pioneiros da colonização em Pomerode, com os animais, o homem capinando, a mulher semeando, e até uma criança, provavelmente responsável por levar a comida aos pais na lavoura.



A tchurminha de antigamente e o Fê trocando idéia

Um dos passeios mais tradicionais e pitorescos de Pomerode é a:

Rota do Enxaimel

Enxaimel é um estilo de construção associado fortemente à Alemanha. Trata-se de pedaços de madeira encaixados entre si, em posições verticais, horizontais e diagonais, preenchidas com tijolos ou pedras. Esta foto, tirada no Museu Pomerano, mostra bem a essência da técnica:



Agora é só preencher com tijolos. Aprendeu?

A Rota do Enxaimel está toda no bairro de Testo Alto, que reúne a maior quantidade de casas enxaimel fora da Alemanha, segundo dizem. Todas elas estão tombadas pelo patrimônio histórico, e podem ser vistas, de carro, bicicleta ou a pé, em um roteiro informal, quase todo em ruas de terra. Há algumas delas abertas à visitação, com venda de produtos típicos, mas como fizemos o passeio muito cedo, não tivemos oportunidade de visitá-las.

A plaquinha diz que a casa é da família Rahna, e é de 1920, seus cegos!

Mais um "enxame", como nos acostumamos a dizer

Também construída em estilo enxaimel, mas fora da rota, na saída da cidade, está a:

Casa do Imigrante Carl Weege
 

Reprodução da casa de um dos primeiros moradores de Pomerode. Os cômodos estão decorados com objetos antigos, reproduzindo o modo de vida no começo da existência da cidade, com os colchões de palha e o sotão onde ficavam as crianças. Chris ficou preocupada retroativamente, porque devia entrar muito vento pelos vãos do telhado. No terreno do museu estão ainda um engenho de cachaça e um engenho de milho, este último tomando três andares cheios de mecanismos.

A casa do camarada Carl


Sempre fazendo graça na cozinha

Chris e os aposentos das crianças

Pertinho do Portal Turístico Sul está o:

Museu Casa do Escultor Ervin Curt Teichmann

Funciona na antiga casa do escultor que dá nome ao museu, figura de renome no Brasil inteiro. A visita passa por cômodos da casa, onde estão expostos alguns de seus trabalhos. Fomos guiados pela nora do escultor, só ao final acompanhada também por seu marido, filho de Ervin Curt Teichmann. A visita custa R$ 10, preço um pouco salgado para o pouco apresentado, embora, em última instância, não tenhamos nos arrependido do gasto.



Basicamente é isso aí o museu

Não dá pra ir embora de Pomerode sem visitar a:

Nugali Chocolates

Fica no centro e produz chocolates de qualidade, sendo uma das únicas empresas no Brasil a fabricar seu próprio chocolate. Reconfortante saber que a marca usa cacau de Ilhéus, e não da Bélgica ou Alemanha. Dá pra imaginar alguém comendo e dizendo "que delícia, só pode vir da Bélgica". Não vem não. É do Brasilsilsil mesmo. Só que a lojinha é muito apertada, merecia um espaço maior. No dia que visitamos havia umas senhoras de uma excursão e mal dava pra ficar lá dentro.



O chocolate é bom, o aperto não

Outro lugar que ninguém deixa de visitar em Pomerode é a:

Torten Paradies
 

Misto de confeitaria, restaurante, lanchonete e café, seu bufê de café colonial faz sucesso nas tardes e deixa a casa cheia. Se for o caso, se refugie no primeiro andar, bem menos concorrido, e chiquéééérimo, com seus lustres e sua bela vista do centro da cidade.


Chiquéééééééérimo, bem!

De noite, não tem muito como fugir da:

Cervejaria Schornstein


Instalada pertinho das principais atrações das cidade, esta cervejaria artesanal coleciona prêmios em festivais, e conta com seis estilos do precioso líquido. Na noite em que lá estivemos tomamos, literalmente, todas. O cardápio lista os petiscos e já dá a dica da cerveja certa para harmonização. Há diversas opções tipicamente alemãs, como o misto de salsichões, porco frito e batata frita, que foi nosso escolhido. O ambiente é agradável, e é bom não chegar muito tarde, porque o lugar é bastante concorrido.  



Singelos copinhos pras cervejas de trigo


IPA já é a onomatopéia pro soluço do ébrio


E a stout pra arrematar com o doce

Conclusão sobre Pomerode

Além de tudo que foi listado acima, Pomerode também é boa para compras. Há lojas de fábrica de algumas malharias, e também de produtos de porcelana e madeira. Não que precisasse, mas digamos que é a cereja do bolo em uma cidade com muito potencial turístico. Fizemos muitas compras na cidade, que tem um programa de incentivo de compras permanente, que rende um brinde ao final, para quem conseguir determinado número de carimbos (compra = carimbo) em diversos estabelecimentos. Por conta da Páscoa, havia ainda outro programa do tipo, e ficamos obcecados em completar os dois. Seu centro comercial não transborda charme, mas rende umas pernadas bem agradáveis, parando de loja em loja. A cidade é segura e tranquila,  mesmo cheia por conta da Osterfest. Junte-se a tudo isso sua localização, com diversos passeios bate e volta nas redondezas, e temos um destino perfeito para uma semana ou mais de deleites.



Romantiquíssima Pomerode

Outra cidade em que nos hospedamos na região foi:

2 - Timbó

Para ser bem sincero, não era nossa idéia original nos hospedarmos aqui, mas nossa pousada em Pomerode não tinha diárias disponíveis para todo o tempo que queríamos, então acabamos passando uma noite em Timbó, que fica a apenas 19 km de sua vizinha. Timbó é ponto de partida e chegada do Circuito de Cicloturismo do Vale Europeu, portanto a cidade está sempre repleta de ciclistas. Quase todos ficam hospedados no mesmo hotel em que ficamos, o:

Timbó Park Hotel


Provavelmente o melhor hotel de toda a viagem, com quarto bem espaçoso, móveis novinhos, varanda, excelente café da manhã e uma bela piscina em meio ao verde. Pena que a piscina ficou lotada de gente o tempo todo, parecia piscina de clube, aí nós que somos muito metidos acabamos não usando. Pode nos julgar. Até falei pra Chris que era uma pena que teríamos apenas uma noite ali, deu vontade de ficar mais. Pagamos R$ 289 a diária. 



Espaçosão, dá pra fazer baile


As varandinhas padronizadas, e um hóspede sem padrão

A primeira coisa que fizemos ao chegar à cidade foi pedir a benção na:

Igreja Matriz de Santa Teresinha

Chama a atenção de longe, com uma cruz bem alta, que não faz parte do prédio principal da igreja. Mas infelizmente, como tantas outras igrejas que visitamos, estava fechada para visita interna.



Só a fiação atrapalhou a selfie perfeita

No centro da cidade, localizado na confluência dos rios Benedito e dos Cedros, fica o:

Complexo Turístico Jardim do Imigrante

Reúne a maior parte das atrações turísticas da cidade. Achamos o termo "complexo turístico" um pouco exagerado, mas vá lá. Para chegar ao complexo, atravessamos a:

Ponte da Represa

Pesquisei na internet e não encontrei um nome oficial para a ponte. Alguns a chamam de ponte estaiada, outros de ponte sobre o Rio Benedito, outros de Ponte da Represa, que julguei mais adequado pela barragem que se encontra ao lado dela, formando uma bonita paisagem, com a mata ao redor e um prédio em estilo enxaimel ao fundo.


Chris se dirige ao, bem...hmmm...err...complexo

Ainda no complexo está o:

Museu do Imigrante

Reproduz o interior de uma casa típica dos primeiros colonos que habitaram a região, com sala, quartos, cozinha e banheiro recheados de antigos objetos e utensílios. É grátis.


A sala de estar dos colonos

Sempre a mesma graça na cozinha, já injuriou, não?

Também dentro do complexo está o bar e restaurante:

Thapyoka

Fica no prédio de uma antiga fábrica de farinha, e é a construção em estilo enxaimel que pode ser vista da ponte. Estivemos duas vezes no local, uma no almoço e uma no jantar. Como é praxe nas cidades catarinenses, Timbó também tem cervejarias artesanais (Borck, Blauer Berg e Berghain), e seus produtos podem ser consumidos aqui. Tanto de dia quanto à noite optamos por comer porções para acompanhar as cervejas, embora de noite a Chris tenha optado por tomar suquinhos detox. Eu fui de suco de cevada mesmo. O Thapyoka também tem uma boate, que fica do outro lado da ponte.



"Uma porção de cerveja, por favor"


De noite, alcatra com cerveja e suco detox

Já fora do complexo, um pouco mais afastada do centro fica a:

Casa do Poeta Lindolf  Bell

Confesso nossa ignorância, já que não conhecíamos o poeta, falecido em 1998, que ficou famoso pelo Movimento Catequese Poética, que visava popularizar a poesia, levando-a a viadutos, ruas, estádios, fábricas, bares e prisões. O museu funciona na casa em que ele morava, e é bem simples, com alguns de seus poemas nas paredes, além de objetos utilizados pela família. A visita é guiada, e infelizmente a guia falava até enquanto eu tentava ler os poemas nas paredes, o que desagradou um pouco.



A casinha bonitinha em que o poeta viveu

O lugar onde os habitantes da cidade se reúnem é o:

Parque Central de Timbó

Área com quadras esportivas, playground e pistas de caminhada, estava enfeitadíssima para a Páscoa, com coelhos gigantes, Casa do Coelho e até mesmo um cercadinho com coelhos vivos, fazendo a alegria da criançada - e a nossa também.



Felizes como coelhos no Parque Central


Olha o coelhão!


E os coelhos em carne viva. Ali atrás, tá?

Conclusão sobre Timbó
 

Não é uma cidade repleta de atrações turísticas, como sua vizinha Pomerode. Ainda assim deixamos de fazer algumas coisas, como visitar o Museu da Música e o Jardim Botânico, por falta de tempo. Timbó está entre as dez cidades com maior qualidade de vida do país, e isso pode ser atestado pela tranquilidade de suas ruas. Conseguimos comprar artesanato na Associação dos Artesãos, que fica no estacionamento de um supermercado (!?). Pelo que vimos, ela está para se mudar para uma casa em estilo enxaimel, bem pertinho do Complexo Turístico Jardim do Imigrante. Convenhamos, bem melhor. Saímos com uma boa impressão da cidade, que talvez merecesse mais um dia de visita. 


Todo o charme de Timbó

A partir de agora vamos falar de mais duas cidades da região, pelas quais passamos mais rapidamente, portanto os relatos serão menores. A primeira delas, que visitamos quando ainda estávamos hosperados em Pomerode, foi:

3 - Rio dos Cedros

Com pouco mais de dez mil habitantes, a pequena cidade fica a apenas 16 km de Pomerode. Como é praxe ao chegarmos a alguma cidade, começamos a visita pela:

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Imaculada Conceição

Fica na Praça da Matriz, que tem alguns aparelhos de ginástica, onde até nos aventuramos um pouquinho. A arquitetura da igreja não é lá muito comum, com grandes colunas de concreto sustentando uma cobertura na entrada, e ao lado um torre com um relógio. Não achamos muito bonita, mas ao menos estava aberta, e pudemos conhecer por dentro.



Gosto duvidoso, mas tá valendo


Pra não dizerem que é mentira que a gente se exercitou

Bastante afastado do centro, conhecemos o:

Lago Rio Bonito

Rio dos Cedros tem em sua área rural uma região conhecida como Região dos Lagos. Para chegar lá é necessário andar mais de 20 km em estradas de terra em bom estado de conservação. Como não tínhamos o dia inteiro, conhecemos apenas o Lago Rio Bonito. Mas o próprio caminho até lá já é um passeio dos mais agradáveis, já que a estrada segue o curso do rio, com belas paisagens e belas casas pelo caminho. Sim, praticamos o livre exercício da invejinha com as maravilhosas casas que vimos pelo caminho.



O lago e as hortênsias


E uma casa bem em frente ao lago


Desagradável pracas, né?

Já na saída da cidade, conhecemos a:

Capela de Nossa Senhora das Dores

É a igreja mais antiga da cidade, de 1916, e fica encarapitada no alto de um pequeno morro, que dá uma vista bonita da região. O sino fica em uma pequena torre do lado de fora. Pra variar, estava fechada e não pudemos conhecer por dentro.



Bela a singela, como nosso Celtinha macho


Não é assim altíssimo, mas tem uma vista legal

A outra cidade que conhecemos na região foi a singela:

4 - Doutor Pedrinho

O curioso nome vem do pai do antigo governador de Santa Catarina, Aderbal Ramos da Silva. Com apenas 3.604 habitantes, a cidade se desenvolve ao longo da rodovia BR-477. Forma, com a vizinha Benedito Novo, uma região perfeita para quem gosta de cachoeiras. A singeleza da cidade pode ser percebida na:

Prefeitura de Doutro Pedrinho

Fica à beira da estrada, e não resistimos a parar para tirar uma foto. Dá bem uma amostra do tamanho da cidade, que tem apenas 9,6 habitantes por quilômetro quadrado.


Chris se candidatando a prefeita

Conhecemos apenas uma das muitas cachoeiras da região. Mas foi em grande estilo, com a:

Véu de Noiva
Nem vamos falar sobre a criatividade na escolha do nome. Melhor nos atermos à beleza das estradas dessa região, que assim como aconteceu em Rio dos Cedros, já são uma atração por si só.


Paisagens assim se sucedem pelas estradas

Depois de um trecho em estrada de terra chega-se ao começo da trilha. O carro fica estacionado em um restaurante. Gostamos do fato de que a placa no começo do trajeto a pé já indica o tempo médio de caminhada. Isso diminui um pouco a ansiedade natural de querer chegar logo ao destino final. A trilha é bem larga e muito fácil de ser feita, já que é quase toda plana. Chegando perto da cachoeira há uma boa estrutura de pontes de madeira, que dão uma visão frontal dela. Mas para chegar mais pertinho não tem jeito, tem que ir pelas pedras escorregadias. Mas vale o esforço, já que a queda impressiona pelo volume e pelo entorno, em um cânion belíssimo e com muita mata.


Chris trilha o caminho


Tirada da ponte, que fica um pouco afastada


Chris e o belo cânion em que a cachoeira está inserida (curtiu o vocabulário?)


Quanta exuberância, mermão!

Aqui se encerra a primeira parte do nosso relato sobre o Vale Europeu. Na segunda parte falaremos sobre as cidades de Blumenau, Brusque, Botuverá e Nova Trento.