quarta-feira, 1 de abril de 2015

Florianópolis, segura e bela

(não se esqueçam, basta clicar nas fotos que elas ficam ainda maiores! Depois é só dar "esc" e voltar a ler)

Braços abertos sobre a Guan...ops, sobre a Praia do Santinho

A viagem

Data: 22 a 27/02/2015
Cidade: Florianópolis (SC)

Eu e Chris já tínhamos visitado a cidade anteriormente. Mas havia dois bons motivos para voltar: o primeiro é que já fazia muito tempo desde nossas visitas. E o segundo, e mais importante, é que não tínhamos ido juntos.

Ficamos hospedados na Barra da Lagoa, bairro bem próximo à famosa Lagoa da Conceição, e às praias Mole e da Joaquina. Mas independentemente de onde for a hospedagem, é quase imprescindível estar de carro em Floripa, ao menos se você quiser conhecer suas principais praias e atrações sem precisar pegar carona (prática comum por aqui), ou depender das linhas de ônibus da cidade. Táxis não são muito abundantes, e as linhas de ônibus, segundo as informações que tomamos dos locais, não são muito práticas para conhecer toda a cidade.


As Praias

Florianópolis é uma ilha, cercada de praias por todos os lados. Algumas voltadas pro oceano, outras voltadas pro continente. Claro que com apenas quatro dias não conseguimos visitar todas, mas tentamos fazer um bom panorama do que existe naquela que é conhecida como Ilha da Magia. Mas esqueça os chavões e mergulhe no mar. E é mar que não acaba mais. A ilha é grande, e algumas de suas praias são bem desertas. Outras são empanturradas de gente. Em algumas não se tem nada pra comer, em outras há madames tomando champagne. Tem pra todos os gostos. Eu e Chris? Bem, nós somos de todos os gostos...

Praia do Forte

Chegamos a esta praia por volta das 9 da manhã, de café da manhã recém-tomado, portanto acabamos não nos sentando em nenhum quiosque, e sim na areia mesmo. Ficamos ali um tempinho, apreciando seu mar calminho, com alguns poucos quiosques e clima tranquilo.


Chris e a tranquilidade da Praia do Forte


Nosso maior objetivo aqui era visitar a Fortaleza de São José da Ponta Grossa, alcançada após uma curta subida de escada no canto direito da praia. A fortaleza, que tem três níveis, foi construída no século XVIII, e era usada para proteção da ilha. Guarda algumas construções intactas, outras em ruínas, e tem um pequeno museu com pedaços de cerâmica, pratos e outros objetos encontrados nas ruínas. A vista é belíssima. A entrada custa R$ 8,00.


Aquele pontinho azul é o Fê, visto do nível mais alto da fortaleza


Praia de Jurerê

Embora tecnicamente seja apenas uma praia, aqui há uma divisão baseada nas características dos visitantes. No lado esquerdo ela é conhecida como Jurerê Internacional, e abriga alguns beach clubs e mansões, sendo frequentada pela "galera do agito". No lado direito ela é mais frequentada por famílias e casais. Foi onde ficamos, não sem antes dar uma boa sapeada nas mansões, que ficam tanto na orla quanto nas ruas próximas.


É minha! É minha e ninguém tasca!


Não é uma praia linda. Mas tem sua beleza. O que a Chris mais gostou foi de suas águas mornas e calmas, coisa que não é comum em Floripa, que em geral tem águas bem geladas. Há algumas barracas de praia, mas sem grandes atrativos, apenas bebidas e pastel ou lanche, sem opção de porções. Alugamos duas cadeiras e um guarda-sol, por R$ 10,00 cada item, ou seja, já saímos com R$ 30,00 negativos! A cerveja em lata custa R$ 5,00 e a água de coco R$ 6,00. O mais curioso foi ver, pertinho da gente, duas madames com suas taças de espumante, trazido em um isopor. Farofa chique, bem!


Tacinha de espumante com a madame...

...copo de plástico de chopp com o "madamo"


Praia do Santinho

Esta praia com larga faixa de areia abriga o resort Costão do Santinho, hotel mais famoso (e caro) de Florianópolis. Nos sentamos em um quiosque, e aí sim conseguimos comer uma bela porção de camarão ao alho e óleo (R$ 43,00).

Todo mundo tem direito a um camarão legal

Do lado direito da praia sai uma trilha que leva até a praia de Moçambique. Não fizemos a trilha completa, apenas o comecinho dela, que passa por algumas inscrições rupestres e tem uma bela vista para a praia.

Ao fundo o resort, junto de onde sai a trilha

Praia da Joaquina

Certamente uma das praias mais famosas da ilha, daquelas que mesmo quem nunca visitou a cidade já ouviu falar. É ponto de encontro de surfistas, e já foi palco de inúmeras etapas de campeonatos importantes de surfe.
Sua estrutura está toda baseada no canto esquerdo, com alguns restaurantes e lojinhas de artesanato, além de hotéis. Também há algumas pedras com boa vista para a praia, além de bastante sombra.  À direita ela vai ficando cada vez mais deserta, e a paisagem é dominada pelas dunas.
Ficamos por ali cerca de 40 minutos, nas primeiras horas da manhã, quando não havia quase ninguém, apenas alguns surfistas fazendo suas manobras.


Chris toma os primeiros raios de sol da manhã, enquanto os surfistas dão sua brincada

Lagoinha do Leste

Considerada a praia mais bonita da ilha. E foi esse título que nos fez ir até lá, já que o tempo não estava nada bom. Mas era nosso último dia de passeio, então resolvemos ir assim mesmo. Em verdade eu resolvi, já que pela Chris nós teríamos deixado pra lá. Talvez ela estivesse certa. Não que a praia seja feia, longe disso. Mas é claro que sem a presença do sol ela empalidece bastante. Sendo assim nossa imagem do lugar vai ficar prejudicada. Uma pena.

Chris oberva nossa empalidecida chegada

Existem duas trilhas a pé que levam até lá, uma saindo da Praia de Matadeiro e outra saindo da Praia de Pântano do Sul. Nós fizemos o percurso de barco (R$ 40,00 pra cada, ida e volta), partindo de Pântano do Sul, que dura cerca de meia hora. Uma vez lá, saímos andando pra dar uma explorada na praia, que não é muito grande. Cercada de verde, tem um pequeno riacho que chega até pertinho do mar, com águas bem morninhas. É este riacho, que de tão calmo parece uma lagoa, que dá nome à praia. Não há estrutura, apenas isopores que os próprios barqueiros levam, com bebidas à venda.


Chris, a suposta lagoinha e ao fundo o mar


Praia da Barra da Lagoa

Era a praia mais próxima da pousada em que estávamos, e no entanto só fomos até ela na manhã do último dia. Já tínhamos tentado ficar um tempo ali em outros dias, mas é sempre muito difícil de estacionar, há poucos lugares, já que só o canto direito da praia tem estrutura.
Eram 7 e pouco da manhã quando lá estivemos, portanto não tinha nada aberto. Como o nome indica, há um bracinho de lagoa que chega até ali em um pequeno canal. Em cada lado deste canal há um pequeno farol, dando certo charme ao lugar. 



Do canal, Chris observa a Praia de  Barra da Lagoa

Passeios

Projeto Tamar

Fica na Praia de Barra da Lagoa. Não é muito grande, mas tem uma boa estrutura, com grandes tanques que contam com algumas das espécies de tartarugas marinhas encontradas na costa brasileira. Pra quem já visitou a sede do Tamar na Praia do Forte, na Bahia, este aqui não tem muita novidade. Mas vale uma visita pra quem não conhece o Tamar, ou pra quem gosta mesmo de animais. Custa R$ 10,00.

Vale a pena pagar pra ver esta tartaruga?


Ilha do Campeche

Eu e Chris já podemos dizer que fomos pra Argentina, mesmo sem nunca ter pisado em território hermano. Explica-se: no dia em que fizemos este passeio, a Ilha do Campeche estava infestada (com o perdão da palavra) de argentinos, e portanto era como se nós fôssemos os estrangeiros.
 
Chris observa incrédula a fila de argentinos
 
Fizemos o passeio de barco a partir da Praia da Armação (R$ 60,00 por pessoa, ida e volta). Alcança-se a ilha depois de cerca de 40 minutos de barco. Tudo é muito organizado. Ao descermos já fomos recepcionados por um membro da associação que cuida da preservação da ilha, e como éramos os únicos do barco a falar português, recebemos as instruções sozinhos. Ele nos disse que havia algumas atividades na ilha (todas pagas à parte), como trilhas e mergulho de snorkel, falou dos dois restaurantes existentes e também sobre os cuidados com a preservação.
A ilha é muito bonita, isto é inegável. O problema é que havia muitos argentinos. E o problema não era que fossem argentinos, mas que fossem muitos. Claro que o clima idílico ficou um pouco prejudicado. O tempo se manteve o tempo todo nublado, com algumas breves aparições do sol.  


A ilha infestada, sem xenofobismo
 
Fizemos a Trilha do Letreiro (R$ 10,00 por pessoa),  que leva ao outro lado da ilha, onde há algumas inscrições rupestres dos primeiros habitantes da região. Embora atravesse a ilha, a trilha é curta, e passa por um pequeno trecho de mata, até chegar aos rochões do outro lado.

Chris e a pintura rupestre ao final da trilha

Projeto Lontra

Não tínhamos lido sobre esta atração em nenhuma de nossas pesquisas sobre a viagem, mas encontramos um folder sobre o local, e resolvemos ir lá dar uma olhada, em um finzinho de tarde em que já não havia muito o que fazer.
A verdade é que não vale a pena a visita. Custa R$ 10,00, e inclui um pequeno vídeo falando sobre o projeto, que tem sede no pantanal, depois uma curta visita aos recintos dos animais, onde dá pra ver as lontras através de um vidro. Muito pouco. 


Juro que tem uma lontra ali de pé no tronco
 
Lagoa da Conceição

Um dos points mais famosos da ilha. Em verdade a lagoa é bem grande, e o pedaço mais urbanizado de sua margem é que concentra uma grande quantidade de restaurantes e bares. Há também pista de cooper e aluguel de stand-up paddle.
Eu e Chris não batemos muita perna ali, mas passamos de carro inúmeras vezes, já que de onde estávamos hospedados tinha que se passar pela lagoa para ir a todo lugar. Está sempre movimentada, com moradores e turistas, e é lugar de badalação à noite.
Há um belo mirante no caminho entre o centro e a lagoa, de onde se tem uma vista privilegiada de boa parte dela, e das praias Mole e da Joaquina ao fundo.

 
Chris e a vista que, convenhamos, é deslumbrante


Costa da Lagoa

[Conforme escrito acima, a Lagoa da Conceição é bem grande. Na parte onde ela é menos urbanizada não há estrada para carros, e a tranquilidade impera. Este trecho é conhecido como Costa da Lagoa. Para se chegar até lá dá pra usar os barcos que partem do centrinho da Lagoa da Conceição ou do Terminal Lacustre, que fica no Km 4 da SC-406. Há também a opção de usar a trilha a pé de cerca de duas horas que parte também do centrinho da Lagoa. Nós utilizamos o Terminal Lacustre  (R$ 10,00 por pessoa, ida e volta).
Uma vez lá, a atração são os diversos restaurantes com deques sobre o mar, além da própria trilha, que conta com uma pequena cachoeira bem pertinho de onde paramos. Há também algumas lojinhas de artesanato, além de casas de moradores, muitas delas ainda guardando o estilo açoriano, dos primeiros habitantes da ilha. Mas hoje a comunidade também é moradia de quem procura sossego.
  

Chris em um pedacinho da charmosa trilha

Depois de irmos à cachoeira, sentamos no restaurante Cachoeira, e comemos uma porção de anchova frita (R$ 26,00, deliciosa e espinhenta), junto com cerveja Original bem gelada (R$ 10,00). Quando deu vontade de ir embora, pedimos ao garçom pra chamar um barco pra gente, que chegou depois de uns 15 minutos, pra nos levar de volta ao Terminal Lacustre, em cujo estacionamento havíamos deixado nosso carro. Para isso, claro, tivemos que apresentar o tíquete que nos foi dado quando da viagem de ida. Muito chique, não?
 
Nossa anchova, nossa cerveja, na Costa da Lagoa


Bairro Santo Antônio de Lisboa

Infelizmente ficamos menos do que gostaríamos neste charmoso bairro, que fica próximo ao centro de Floripa. Trata-se de um dos primeiros núcleos de ocupação da ilha, e tem muitos restaurantes com deques à beira-mar, além de uma igrejinha barroca do século XVIII e muitas lojinhas de artesanato, inclusive com venda de rendas de bilro, típica da região. Tanto charme talvez sirva pra compensar o fato de que a água do mar não é própria para banho. Ainda assim, vale muito a pena bater perna por ali, e se sentar em um dos restaurantes, coisa que acabamos não conseguindo fazer.

Fê e um pedacinho do charmoso bairro


Centro Histórico

Rende ao menos uma manhã ou uma tarde passeio. Além do Museu Histórico de Santa Catarina e Museu Victor Meirelles, mais detalhados adiante, ainda há alguns bons pontos de visita na região.
Vale começar o passeio pela Praça XV de Novembro, onde está a impressionante fiqueira centenária, com seus galhos que tem que ser escorados por pequenas colunas para não caírem.  
 

O casal e a figueira centenária

A Catedral Metropolitana fica bem ali, e vale a pena dar uma entrada na igreja, nem que seja só pra apreciar a belíssima escultura representando a fuga para o Egito, com Maria e o menino Jesus em cima de um burro, e José guiando a família. Coisa fina.

   
Qual dos dois é mais imponente?

 Dali fica fácil ir até o Mercado Público, que tem algumas lojas de artesanato, além de bares e restaurantes. No período em que lá estivemos o mercado estava em reforma, e alguns de seus boxes mais famosos estavam fechados. Mas mesmo assim vale a visita.

  
Mercado em reforma, e Fê vendo um mapa

 Ao lado está a antiga Casa da Alfândega, que hoje é uma imensa loja de artesanato, onde dá pra comprar todas aquelas lembrancinhas que turistas adoram. Há desde coisas baratinhas, como imãs de geladeira, até peças mais rebuscadas, que passam da casa dos três dígitos, como este São Francisco aí abaixo.
 
Muita coisa pra comprar!

Se a preguiça não for muita, caminhe até a ponte Hercílio Luz, um dos cartões postais de Florianópolis, que hoje não é mais usada para travessias, e serve apenas como ponto turístico. Verdade seja dita, nós fomos até lá só pra tirar a foto obrigatória mesmo. Estava quente, e não chegamos até um ponto em que pudéssemos atravessar a avenida movimentada pra chegar mais perto dela.
Se quiser chegar mais perto, melhor ir de carro até o Parque da Luz, perto do qual existe um mirante onde pode-se ter uma boa vista da ponte. Outra opção é ir à noite, quando ela fica toda iluminada. Também não tivemos esse privilégio. Viajar, no fim das contas, é fazer escolhas.

 
A famosa ponte, em foto só pra constar
 
 Museus

O Mundo Ovo de Eli Heil

Eli Heil é uma artista catarinense, que já expôs suas obras na França e na Bienal de São Paulo, entre muitos outros lugares. Ainda viva e atuante, hoje ela expõe suas obras em sua própria casa. A visita é guiada pelos filhos da artista, e dura cerca de uma hora. Sua obra é caracterizada pelo uso de materiais diversos (tampa de privada, rolo de papel, salto de sapato alto, entre muitos outros) e pela dificuldade de classificação. Ela é autodidata, e criou inúmeros técnicas usando apenas sua sensibilidade. (link do museu aqui)
A visita começa nos jardins da residência, onde estão algumas esculturas da artista, e depois segue para uma galeria, onde estão quadros, esculturas e outros trabalhos. O filho guia a visita mostrando muito orgulho da mãe, e muito rancor do poder público em geral, por conta de alguns problemas que a mãe teve, inclusive com a derrubada de duas esculturas para ampliação da rodovia onde está o museu. 


Casal e uma das obras mais famosas da artista

Na parte final da visita, dentro da galeria, contamos com a presença da artista, que aos 85 anos permanece lúcida, e conta boas histórias sobre suas obras. Pena que em alguns momentos o filho não a deixa falar por muito tempo, interrompendo-a ou falando por cima dela. A visita custa R$ 8,00 por pessoa, e só é feita através de agendamento.

 
Três artistas, como que não?


Museu Histórico de Santa Catarina

Fica na Praça XV de Novembro, no Centro Histórico de Floripa. Foi sede do governo do estado até 1984, e ainda preserva algumas salas com as mobílias da época. Também recebeu o presidente militar João Fiqueiredo, que não foi muito bem recebido pelos estudantes locais, em episódio que ficou conhecido como “Novembrada”.
A visita é rápida, mas interessante, pra quem gosta de História. E não custa caro, apenas R$ 5,00 por pessoa. Vale a pena para quem não está na cidade apenas pra se tostar no sol.   


Fala se não vale a pena visitar?


Museu Victor Meirelles

Não faz juz ao artista que lhe dá nome. Victor Meirelles foi um dos maiores, senão o maior, pintor brasileiro do período imperial, levando o nome do Brasil ao exterior, sendo reconhecido pelo júri do Salão de Paris, coisa rara à época.
Nesta casa, em que o artista catarinense residiu, estão expostos alguns quadros e estudos, que talvez valham para um estudante de arte, mas para o público em geral é pra se passar voando. Mais vale ir pro Rio de Janeiro e ver as obras de Victor em seu esplendor.  


Chris na fachada do museu, que não vale tanto assim

Comidas e comidinhas

Entre os pequenos quitutes, nenhum foi de grande lembrança na capital catarinense. Em relação aos restaurantes, visitamos alguns durante nossa estadia, que estão melhor detalhados em nosso blog sobre gastronomia, o “Chris e Fê vão papar” (link aqui), com os textos sobre os restaurantes “O Barba Negra”, “Meu Cantinho” e “Ostradamus”.
Vale fazer uma nota negativa ao famoso Bar do Arante, que fica na praia de Pântano do Sul. Ficamos sentados ali por cerca de dez minutos, com o bar vazio, e tivemos que implorar pela atenção dos garçons, que passavam de lá pra cá sem olhar pra nós. Acabamos tomando só uma cerveja, com muito custo, quando a intenção era ficar mais tempo, e até comer alguma coisa. Uma pena, já que o bar é famoso pelos bilhetes que os clientes deixam pendurados quando o visitam, e é de fato muito charmoso por conta disso. O que parece é que o lugar “montou” na fama, e parece não se importar muito em agradar. Em resumo: não precisa da Chris e do Fê. A boa notícia é que a Chris e o Fê precisam menos ainda dele.  


"Sr Bar do Arante, venho por meio desta dizer que não preciso de você"
 
A pousada

Desafio alguém a achar algum custo-benefício melhor pelo Brasil: em uma cidade como Florianópolis, que não é das mais baratas, em um bairro que não é o mais badalado, mas também não é o mais rejeitado, com um quarto bem equipado, com TV de tela plana, móveis novos, decoração cuidadosa e cozinha equipada com geladeira, mesa, pia e fogão, além de um bom café da manhã incluso, tudo por R$ 130,00 a diária para casal. Me arrisco a dizer que é o hotel/pousada com melhor custo-benefício em que já ficamos.


Plaquinha da pousada

Dentro do nosso quarto ainda havia ar-condicionado, que nos custaria R$ 15,00 a mais na diária, caso quiséssemos o controle do mesmo. Mas em pleno verão o ventilador de teto nos bastou. Como nem tudo é perfeito, o chuveiro não tinha lá uma pressão muito pressionada, sabe? No fim do dia chegava a ser um pouco difícil tirar a areia do corpo, por conta da frouxice da água. Mas de resto tudo funcionou à perfeição, inclusive o atendimento dos funcionários e do proprietário Tom, em todos os momentos em que precisamos dele.

É ou não é bonitinho? (O quarto!)

 
E ainda tem cozinha!


Conclusão

Acho que saímos gostando mais de Florianópolis do que quando chegamos. Mesmo com o tempo não ajudando muito, trata-se de uma cidade belíssima, e repleta de coisas pra fazer. Nosso quatro dias completos acabaram sendo poucos para contemplar tudo que a cidade oferece. Várias praias foram deixadas pra trás, algumas construções históricas não foram visitadas , faltou uma curtida a mais no bairro de Ribeirão da Ilha, onde fomos só para jantar, entre outras atrações que não pudemos conferir. Excelentes motivos para voltarmos em outra oportunidade. E mesmo com tanta coisa deixada pra trás, este post já está muito maior do que a efemeridade da internet pressupõe.
Faltou dizer uma coisa muito importante: Florianópolis é muito segura. Nunca, em nenhum momento de nossa viagem, nos sentimos inseguros ou preocupados. Quando chegamos à pousada, num domingo à noite, perguntamos ao funcionário se era seguro sair a pé para jantar. Ele afirmou, com muita ênfase, que não havia perigo algum. Não sei se eu poderia ser tão confiante em relação à minha cidade num domingo à noite.
Bonita e segura. O que mais se pode esperar de uma capital de unidade federativa?


Vem que o riso é garantido









quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Jalapão, onde todos os clichês se encontram (POST RETROATIVO)


A Viagem

Data: 08 a 10/05/2014
Cidades: Ponte Alta do Tocantins (TO) e Mateiros (TO)

Jalapão não é uma cidade. É o nome de um microrregião do estado de Tocantins. Mas não é tão importante saber o que é o Jalapão. O importante é conhecê-lo. Sabe todos aqueles clichês de viagem, tipo "paraíso", "lugar de sonhos", "maravilha da natureza"? Então, todos eles se aplicam por aqui. Conhecemos a região na nossa viagem de férias de 2014. Ou seja, o passeio fez parte de uma viagem maior, que englobou desde Roraima até as cidades históricas de Minas Gerais. Mas certamente eu e Chris voltamos mais impressionados com o Jalapão do que com qualquer outra coisa que tenhamos visto nesta viagem, e até mesmo em todas as outras.

 Antes de viajar para lá, eu tinha em mente alguns mitos sobre a região. Em verdade dois mitos: o de que só dá pra conhecê-la através da Korubo (operadora de turismo mais famosa de lá) e o de que tem que ter muito preparo físico pra conhecer as principais atrações, por conta de trilhas longas. Bem,  não fomos com a Korubo. E não andamos mais do que 10 minutos pra conhecer nenhuma das maravilhas do lugar. Existe um terceiro mito, sobre o preço que se paga para passar uns dias no paraíso (eu avisei que os clichês seriam inevitáveis), e este se comprovou verdadeiro. Mas entrarei nesses detalhes mais no fim do post, quando você já estiver decidido a ir pra lá na próxima oportunidade.


As cidades

Para conhecer o Jalapão, o caminho mais natural é primeiro ir até Palmas, a capital do estado, de avião, e de lá partir para o que realmente importa. Confesso que não gostei de Palmas, que chamei de "Brasília sem Niemeyer", o que é uma imprecisão, já que há algumas coisinhas do famoso arquiteto por lá também. Mas a cidade não oferece grandes atrativos. E faz um calor do cão. Chris gostou mais do que eu, embora também não tenha amado.

Uma vez no Jalapão, há duas cidades que são base para todos os passeios: Ponte Alta do Tocantins e Mateiros. Quem vai pra lá e quer conhecer as principais atrações vai ter que passar ao menos uma noite em cada uma dessas cidades.

De Palmas até a primeira são cerca de 200 km, em boas estradas. Você pode ir via Santa Teresa do Tocantins, mais rápido, ou via Porto Nacional. Acabamos indo pelo segundo caminho porque meu Guia Quatro Rodas indicava que o primeiro não tinha estradas asfaltadas. Só ao chegar lá descobrimos que a via foi recentemente pavimentada. Nós fomos de carro alugado, mas o fato é que o carro de passeio não serve pra muita coisa no Jalapão, então ele ficou parado até a hora de voltarmos de lá. Pode parecer um desperdício de dinheiro, mas também é bastante prático poder voltar tranquilo, sem depender de ônibus ou algum traslado.  Aliás, voltamos via Santa Teresa, e o caminho é mesmo bem mais curto, e com asfalto novinho.


Ponte Alta do Tocantins

É a principal porta de entrada para o Jalapão. Até ela é possível chegar por estrada asfaltada, com carro de passeio. Conta com algumas pousadas bem simples, e alguma estrutura básica, como alguns restaurantes, farmácia, padaria, etc. Tem seu charme, que reside na simplicidade. Há uma pracinha típica de cidades pequenas, com uma igrejinha, e basicamente duas ou três ruas principais que concentram o comércio. Não é um charme chique. É um charme rústico. No sentido literal da palavra, já que hoje em dia virou moda dizer que alguma coisa é rústica pra poder cobrar os olhos da cara por ela. 


O rústico centrinho com a rústica igrejinha


Fizemos duas refeições na cidade. A primeira foi no restaurante Portal do Jalapão. Quando lá chegamos, perguntamos à moça se eles já estavam servindo, e ela respondeu "a gente tem arroz, feijão, bife e ovo frito, pode ser?". Claro que podia ser. Refrigerante ela só tinha de dois litros, de modo que tomamos um pouco e deixamos o resto pra eles. A outra refeição foi na Sorveteria e Pizzaria R&R. Sim, é isso mesmo, o local vende pizza e sorvete. Sensacional, não?. Tinha até um telão, onde estava passando um documentário sobre tigres, se bem me lembro. Ambas as refeições foram bem simples, mas não passaram de R$ 40,00 cada uma, para os dois, com bebida incluída.

O ranguinho simples da Portal do Jalapão

A pizza na sorveteria R&R

Mateiros

Se Ponte Alta do Tocantins já é pequena, com seus 7 mil habitantes,  Mateiros é menor ainda, com pouco mais de 2 mil. Mas é perto dela que estão algumas das atrações mais espetaculares da região, que são impossíveis de se conhecer com um bate-e-volta de Ponte Alta. A cidade tem o básico, e a verdade é que você só vai ficar nela durante a noite, porque os dias são bastante preenchidos com os passeios. De qualquer forma, é gostoso bater perna por suas ruas parcamente iluminadas, e se sentir plenamente seguro ainda assim. 

Parca iluminação na praça central da cidade

Em Mateiros fizemos duas refeições no mesmo Restaurante da Dona Roza, que era conhecido do guia Adail. Custa R$ 20,00 por pessoa sem bebida, ou seja, um pouco mais caro do que nossas refeições em Ponte Alta. Mas a qualidade também era mais elevada. Comida caseira, como se fosse um self-service na casa da avó. Inclusive a Dona Roza é muito simpática, como uma boa avó. A foto é bem parecida com a tirada no Restaurante Portal do Jalapão, a toalha parece ter sido feita no mesmo lugar, e minha camiseta...bem, é a mesma do outro dia. Poxa, eu só usei à noite, não tava suja, juro!


O papá na Dona Roza, onde estou com a mesma camiseta com a qual jantei no Portal do Jalapão

Os passeios

Chegamos ao que de fato interessa no Jalapão: suas atrações naturais, que vão se sucedendo com o passar dos dias de passeios, uma mais incrível que a outra. Chegamos a comentar isso com o guia Adail, sobre o fato de que várias vezes a gente pensou "é, não vai ter nada mais  legal que isso", e aí vinha outra surpresa pela frente, que superava a anterior.

Lá no começo do texto eu escrevi que não andamos mais do que dez minutos pra fazer nenhum passeio, e isso é fato. Mas em compensação sacolejamos como nunca dentro de uma Savana, veículo 4x4 da Mitsubishi. É isso: para chegar às atrações você roda bastante por estradas de terra, mas em compensação elas te deixam na "cara do gol". Por isso é importante fazer o passeio com guia, porque, mesmo em veículos 4x4, é preciso conhecer as estradas e os caminhos para todas as atrações. Eu não me aventuraria sozinho. Alem de perigoso, é bastante cansativo, que o digam as batatas das pernas do Adail, que devem ficar em frangalhos, mesmo ele estando acostumado com tanto freio/acelerador/embreagem, por tantas horas seguidas. Fazendo com guia você só precisa se preocupar em olhar a paisagem, e se segurar de vez em quando. Mas eu diria com tranquilidade: é passeio pra quem tem de 8 a 80 anos. Só as hérnias de disco da Chris é que reclamaram um pouco...
 

Vou listar as atrações que conhecemos, pela ordem em que as visitamos. Não conhecemos tudo que há no Jalapão, mas, segundo Adail, mais do que três dias é só pra quem quer ir mais longe, até São Félix do Tocantins, onde há atrações bacanudas, mas não melhores do que as que podem ser conhecidas em Ponte Alta e Mateiros.

Cachoeira do Rio Soninho

A primeira atração que conhecemos no Jalapão. Foi um bom começo, pra gente ir se acostumando aos poucos com o que iríamos encontrar. A cachoeira em si não chama tanto a atenção, embora tenha um grande volume de água.

Casal na pose típica que os guias pedem pra fazer

O que mais gostamos foi o que veio a seguir: um banho nas águas do Rio Soninho. "Ah, nada de mais", você deve pensar. Quem nunca tomou um banho de rio? Bem, com aquela água morninha eu nunca tinha tomado. Chris adorou. E isso é padrão em todos os rios do Jalapão: a água não é gelada. Quem está acostumado com cachoeiras sabe que as águas costumam congelar o contribuinte. Não é o caso aqui. É sempre água fresca. Não chega a ser quente, mas mesmo a mais friorenta das mulheres (que atende pelo nome de Chris) pode entrar tranquilamente. Não vou falar mais sobre isso quando escrever sobre as outras atrações. Basta saber que a água é sempre assim. E o Rio Soninho ainda tem um atrativo a mais, que é a camada de pedra lisinha por onde ele corre, ao menos no trecho onde Adail nos levou. É como se fosse ladrilho de piscina, não é daquelas pedras pontudas que machucam o pé. 

Desagradável pra cacete

Cachoeira da Fumaça

Tem esse nome porque sua queda de 40m provoca uma nuvem de vapor que pode ser vista de longe. Por motivos de segurança não se chega muito perto dela. Mas dá pra avistá-la de alguns mirantes, e ter uma boa noção de sua magnitude.

Só pra constar, o arco-íris é constante, tá?

Banho no Rio Balsas

Aqui demos apenas uma paradinha pra refrescar, no padrão Jalapão: águas límpidas, frescas, e muitos peixes pequeninos nadando ao redor. Aliás, outra coisa que é constante pelos rios da região: sempre muitos peixes, o que mostra como o ambiente é saudável e limpo. No Rio Balsas nós chegamos a alimentá-los, e eles formam um cardume ao seu redor. Claro que os grandões não chegam perto, apenas os filhotinhos.

Refresco no Rio Balsas

Pedra furada
Um lugar clássico do Jalapão para se ver o pôr do sol. Mas ainda era muito cedo, e não tivemos paciência de esperar ali até ele se botar completamente. Trata-se de uma formação rochosa de arenito, que vai se deteriorando com o tempo e o vento, fazendo grandes "furos" em sua estrutura. Provavelmente daqui a alguns milhares ou centenas de anos tudo vai cair, então é melhor ir logo. Foi com ela que encerramos nosso primeiro dia no Jalapão, mal sabendo que o melhor ainda estava por vir.

Casal e o furo na Pedra Furada

Cânion do Suçuapara

Este fica bem pertinho de Ponte Alta do Tocantins, e talvez seja uma das poucas atrações que podem ser acessadas com carro de passeio. Como o nome diz, é uma fenda na rocha, provocada pela água. E é ela, a água, o grande atrativo do lugar, já que fica pingando o tempo todo. Não bate muito sol por ali, pelo menos na hora em que visitamos. Você caminha um pouquinho por um pequeno córrego e chega ao paredão de pedra, com uma pequena prainha. Deve ser um esconderijo e tanto para muitos animais, por ter sombra e água fresca. Tanto que o nome suçuapara é a palavra em tupi para o cervo-do-pantanal.

O finalzinho do cânion

Casa do traficante

Esta não conta nos guias turísticos. A história que ouvimos de Adail pode bem ser uma grande lorota, mas é uma delícia. Ele disse que na década de 80, quando o Jalapão era ainda mais ermo do que hoje, um traficante colombiano (ou seria boliviano?) ali se instalou, dizendo ao governo brasileiro que iria fazer perfumes, ou coisa que o valha. E montou seu império de drogas, com direito a uma pista de pouso para seus aviões, um casarão, piscina, alojamentos para os funcionários, salão de baile e os cacete. Depois de oito anos de esbórnia, a propriedade foi descoberta pela polícia federal, e desde então ficou abandonada em sua maioria. A casa principal serve de moradia para uma espécie de caseiro que cuida da entrada da Cachoeira da Velha. Os antigos alojamentos dos funcionários chegaram a funcionar como pousada, mas hoje estão abandonados. Ah, se eu tivesse um dinheirinho sobrando...

Chris e sua droga, na piscina abandonada do traficante

Cachoeira da Velha
Conta com um trilha de madeira para se chegar até sua base. O nome vem de uma história local que diz que uma senhora solitária morava perto dela. É conhecida como "mini Foz do Iguaçu", e o motivo não é difícil de descobrir: o volume de água é absurdo. Claro que o banho é proibitivo, a não ser que você seja meio suicida. Mas dá pra ficar um bom tempo ali contemplando aquela maravilha da natureza. Já avisei que os clichês surgiriam aos montes...

Má cai água, viu?

Prainha do Rio Novo

Ironicamente, é o Rio Novo que alimenta a Cachoeira da Velha. Esta pequena prainha fica bem próxima à cachoeira, e conta com estrutura de banheiros e escadas de madeira. Difícil descrever a sensação de descer aquelas escadas. A impressão é de estar chegando em um cenário de filme: banco de areia fofa, águas límpidas, e muita mata ao redor. Miragem pura. Mesmo com tudo que vi no Jalapão, este foi o lugar que mais me impressionou. Não dá pra acreditar que não foi montado pra ficar daquele jeito, como se alguém tivesse feito em um programa de computador. Ali ficamos por cerca de duas horas, e mesmo depois desse tempo todo eu ainda soltava interjeições de descrença enquanto íamos embora. "Meu Deus!". "Não é possível". "Este lugar é incrível". É lugar de ficar bobo mesmo. Chris, me manda calar a boca, por favor...

Tentativa de registrar o que é chegar à Prainha...

...e a tristeza de ir embora dela

Córrego do Frita Gordo
Nem chega a ser uma atração. É mais uma parada pra xixi depois de tanto sacolejo. Mas serve pra mostrar como são as coisas no Jalapão: mesmo numa paradinha besta, águas límpidas, frescas e muitos peixes. 

Gordo frito

Dunas
Lembra do que acontece na Pedra Furada? Então, as dunas são aquilo em escala gigantesca. As areias das montanhas de arenito vão se decompondo, e com a ação do vento, vão formando enormes bancos de areia ali por perto.

O que está "descascado" ao fundo é o que formou o solo onde pisamos

O mais impressionante é ver aquele cenário semelhante a um deserto de um lado, e a mata verde de outro, com direito a rio e tudo. Coisas que só o Jalapão pode proporcionar. Mas se prepare: esta é a atração que mais exige preparo físico por aqui. Prepare-se para andar longuíssimos dez minutos em uma trilha plana. Dureza, né? Mas garanto que vale a pena. Dá pra subir nas dunas por uma pequena trilha lateral, já que está proibido subir diretamente pelo banco de areia. O lugar também proporciona um belo pôr do sol, segundo Adail, mas algumas nuves começaram a se formar, e ele mesmo falou que não valia a pena esperar. Mesmo sem pôr do sol, dá pra ficar um bom tempo sobre as dunas, olhando para um lado e a para outro, procurando explicações pra tudo aquilo, e tirando toneladas de fotos.

A "longuíssima" trilha que leva até as dunas

Chris, mata, montanhas, Jalapão

Povoado de Mumbuca

Próximo a Mateiros, trata-se de uma comunidade quilombola com cerca de 165 habitantes, oriundos da Bahia, que vieram em busca de melhores condições de vida. Foi ali que Dona Miúda, hoje falecida, começou a trabalhar com o capim dourado, dando origem a um tipo de artesanato que hoje em dia pode ser encontrado em todo o Brasil. No dia em que estivemos no povoado ele estava praticamente deserto, por conta de uma festa em Mateiros para onde quase todos os adultos foram. Ficaram apenas algumas crianças, que tomavam conta da Casa do Artesão, onde fizemos algumas compras. Disse-nos o Adail que o passeio da Korubo não passa por aqui. Se isto for verdade é imperdoável, já que o artesanato de capim dourado é uma das marcas não só do Jalapão mas do estado do Tocantins como um todo.

Chris na Casa do Artesão

Fervedouro

Mais uma daquelas coisas difíceis de acreditar. Uma nascente de rio, cercada de bananeiras, onde você simplesmente não consegue afundar por conta da pressão da água. Acredite, eu fiz força, mas não consegui. Não se sabe a profundidade do local. Mas há também um pequeno banco de areia com águas cristalinas ao redor da nascente. Chris, por exemplo, ficou com medo de entrar no "buraco", fez apenas uma tentativa, e depois ficou no cantinho do poço. Adail disse que acha que o Ibama logo logo vai proibir a visita, para preservar a nascente. Portanto, mais um motivo pra ir logo pra lá. 

Fê tenta em vão se afogar, e Chris toma um solzinho

É aí que você tenta e não consegue

Cachoeira do Formiga

Última, mas não menos impressionante, atração que conhecemos no Jalapão. Uma pequena queda d´água e uma piscina de águas cristalinas, que ficam azuis quando o sol bate. Muito azuis mesmo. Ao lado um pequeno braço do rio, onde "dá pé", e você pode ficar se refrescando enquanto os peixes vem fazer festinha na sua perna. Um lugar de sonhos. Ah, vá à merda, Jalapão!

É essa cor mesmo, a gente não sabe mexer no Photoshop

Acredite, a Chris está na água

A pousada

Não há tantas opções de pousada, tanto em Ponte Alta quanto em Mateiros. Nós escolhemos ficar em Ponte Alta, na Pousada Planalto (o site às vezes sai do ar, o telefone é [63] 3378-1141), porque ela também organiza os passeios pelo Jalapão, fornecendo guia e veículo. O lugar é bem simples, com um café da manhã razoável, e conforto básico. Há alguns problemas de limpeza, e os móveis são um pouco antigos, mas há frigobar, TV, chuveiro quente, e as diárias, em maio de 2014, estavam em R$ 130,00. Um preço honesto pelo que a pousada oferece.

Fê e a fachada simples da Pousada Planalto

O passeio obrigatoriamente envolve uma noite em Mateiros, e lá nos hospedamos na Pousada Vereda Tropical, da impagável Dona Bibi, com quem passamos uma agradável noite de conversas e muita risada. Quem fez esse "meio de campo" foi a própria Pousada Planalto, ou seja, não tivemos que fazer reserva para nos hospedarmos por lá, e nosso quarto continuou nos esperando em Ponte Alta quando voltamos, inclusive com nossas coisas, já que não levamos tudo para Mateiros.

Chris e a inesquecível Dona Bibi, na Pousada Vereda Tropical

Uma coisa curiosa foi que Dona Lázara, proprietária da Pousada Planalto, nos pediu autorização para que o guia estagiário Ademir fizesse o passeio conosco. Acabou sendo divertido, porque o homem falava mais que político, sem parar, e seu bordão "o cabra tem que ter coragem" virou meme entre eu e Chris, e o repetimos até hoje. Embora falante demais, era boa praça, e não atrapalhou em nada a experiência. 

Fê com o estagiário Ademir (vermelho) e o guia Adail (verde)

Vamos agora àquela parte chata que eu tinha anunciado no início do post. Antes de mais nada, vale dizer que no veículo 4x4 em que passeamos cabem quatro pessoas, e o valor pode ser dividido entre todos. Porém, no período em que eu e Chris fomos, não havia ninguém para ir conosco, portanto arcamos sozinhos com o valor. Que veio a ser, em maio de 2014, de R$ 1.700,00 por três dias de passeio. Convenhamos, não é barato. Vale dizer que esse valor é só dos passeios, as diárias são pagas à parte. Ou seja, são mais de R$ 2.000,00 por casal, caso não haja companhia. Mas, conforme já escrevi antes, você não precisa se preocupar com nada, apenas em entrar e sair do veículo quando chega nas atrações.

Outra coisa importante: maio é um mês maravilhoso para visitar a região. Fizemos todos os passeios praticamente sozinhos. Pensando bem, posso tirar o "praticamente": não me lembro de encontrar nenhum turista em nenhum dos lugares a que fomos. Além disso o clima nessa época é ótimo, não chove, e está quente, mas não insuportável. Adail nos disse que o mês de junho é o pior, porque tudo fica muito cheio. Ele nos exemplificou dizendo que a Cachoeira do Formiga fica lotada de gente e mal dá pra estacionar, que dirá dar um mergulho decente. É que no Jalapão tudo é diferente, e junho é o verão por lá.


Conclusão

Certamente uma das experiências de viagem mais incríveis que já tivemos. Incrível no sentido literal, de ver coisas difíceis de acreditar. Ficamos felizes de saber que o Jalapão não é para poucos aventureiros, que é acessível e democrático, embora torçamos muito para que o turismo de massa não o alcance. Que as estradas continuem sendo de terra. Que as pousadas continuem sendo simples, assim como seu povo. Simples, e não simplório. Rústico, e não rústico-chique. Assim, interessados em beleza e cultura poderão continuar visitando a região por muitos e muitos anos, e ter a mesma experiência que tivemos.

Uma das coisas mais bonitas de viajar é voltar pra casa e saber exatamente como é aquele cantinho do mundo que você acabou de conhecer. Basta fechar os olhos pra estar lá de novo. Em junho, quando o frio estiver visitando São José dos Campos, sempre pensaremos no Jalapão, em suas águas frescas, seu calor, suas belezas. Embora não estejamos lá, é reconfortante saber que ele existe, e que já estivemos ali. Se nos vir fechando os olhos nessa época, desconfie. Pode ser que estejamos no coração do Brasil, no leste de nosso estado mais jovem, no paraíso, com o perdão do clichê, chamado Jalapão.    


Um pouco desse paraíso agora também é nosso