quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Campos do Jordão, para gastar e contemplar

(Não se esqueçam, basta clicar nas fotos que elas ficam ainda maiores! Depois é só dar "esc" e voltar a ler)




A viagem

Cidade: Campos do Jordão (SP)
Data: 21 a 23/08/2015

Moro em São José dos Campos há 26 anos. Campos do Jordão, um dos destinos turísticos mais famosos do Brasil, fica a cerca de noventa quilômetros daqui. E mesmo com toda esta facilidade, só tinha estado na cidade umas três vezes, e sempre em passeios bate-e-volta. Chris, que mora em São José há menos tempo do que eu, já esteve na cidade para dormir, mas também nunca tinha feito uma viagem, digamos, mais turística, para conhecer de fato a cidade. Por este motivo é que nós a escolhemos como destino de um fim de semana inteiro, para finalmente podermos dizer que conhecemos a "Suíça brasileira", para usar um chavão muito utilizado para descrevê-la.

Antes de entrar nos detalhes sobre o que fizemos na cidade, vou falar sobre nossa hospedagem. Ficamos na:

Pousada Aldeia da Serra 

Campos do Jordão é muito cara. Em todos os aspectos, mas notadamente em termos de hospedagens. Tivemos que pesquisar muito para achar um preço razoável e com uma boa localização. E não achamos! Mas vamos falar primeiro sobre os pontos positivos de nossa pousada.

Gostamos do café da manhã, simples mas satisfatório. Os móveis eram de boa qualidade, embora a TV fosse pequena e antiga. Uma boa varandinha permitiu que a Chris desse suas pitadas sem precisar sair do quarto. A vista não era linda, mas dava para ver algumas árvores e construções em estilo alpino bem charmosas. Havia um aquecedor, o que veio a calhar para a friorenta Chris, embora em uma das noites eu tenha dormido sem camisa de tanto calor. O chuveiro com aquecimento a gás esquentava bem rápido, o que muitas vezes não acontece em chuveiros deste tipo. E o atendimento, se não encantou, também não frustrou. Foi tudo bastante correto durante toda nossa estadia.


O bom café da manhã


O telhadinho ali é que não ajuda muito

Pois bem, em outras cidades do país, mesmo as mais turísticas, uma pousada como essa ficaria em torno de duzentos reais, em minha experiência. Talvez um pouco mais por conta do aquecedor. Em Campos do Jordão? Trezentos e cinquenta reais. Para se ter uma idéia, pagamos mais barato do que isso por uma pousada praticamente dentro da Praia de Pipa, no Rio Grande do Norte. A localização é boa, a cerca de um quilômetro da Vila Capivari, onde fica o agito da cidade. Portanto, dentro dos patamares do município, esta pousada tem uma boa relação custo-benefício.


Uma geralzinha do quarto, com a TV de 1512

Diário de Viagem

Sexta-feira - 21/08/2015

Demoramos cerca de uma hora para chegar de São José dos Campos a Campos do Jordão. Não pegamos trânsito nenhum, e a viagem transcorreu sem problemas. Chegamos em Campos por volta de 19h40, e já tínhamos reserva em um restaurante para às 20h. Portanto, mal deu tempo de colocar as malas na pousada e já saímos para jantar no:

Restaurante Libertango

Esta experiência está relatada com detalhes (ambiente, avaliação, preço, etc) em nosso outro blog, que pode ser acessado aqui.

Depois do jantar não tivemos tempo, nem disposição, de fazer mais nada, e voltamos à pousada para dormir.

Sábado - 22/08/2015

Começamos o nosso dia visitando o:

Museu Felícia Leirner

Também conhecido como "museu a céu aberto", a bela área verde possui dezenas de esculturas feitas pela artista polonesa Felícia Leirner, que chegou ao Brasil em 1927 e aqui ficou até sua morte em 1996. As esculturas, em sua maioria brancas, ficam muito bonitas em meio ao gramado e às arvores que enfeitam o parque. Há algumas peças mais abstratas, outras com um siginificado mais literal. Em um belo dia de sol, como demos a sorte de encontrar, rende ótimas fotos. De seus mirantes dá para avistar a Pedra do Baú ao longe. A entrada é gratuita.


Em tese esta é a escultura de um pássaro


Dois pombinhos e a concha acústica


Chris com orelhas de coelinha (não é da Playboy!!)


Dentro do mesmo parque está o:

Auditório Claudio Santoro

É aqui que rolam muitos dos concertos do Festival de Inverno de Campos do Jordão. Estivemos ali num sábado de manhã, quando aconteciam alguns ensaios de grupos de dança, aos quais ficamos assitindo por alguns minutos.


Chris observa o ensaio

Não muito longe dali, visitamos na sequência o:

Palácio Boa Vista

Ou melhor dizendo, tentamos visitar. Havia muita fila, e eu e Chris quando vemos fila começamos a nos coçar instantaneamente. É alergia mesmo. Até falei pra ela "se fosse o Louvre acho que a gente esperaria, né?".


"Isso, faz cara de feliz, mas depois nós vamos embora"

Tiramos algumas fotos do lado de fora, e voltamos no dia seguinte, logo cedo, quando finalmente conseguimos visitá-lo. É a residência de inverno do governador de São Paulo, e abre para visitas por conta de seu acervo de quadros e mobiliário antigo. Quando não há ninguém hospedado a visita passa também pelos aposentos usados pelo governador e seus convidados. Entre os artistas com obras à mostra estão Tarsila do Amaral, Portinari, Di Cavalcanti, Victor Brecheret, Anita Malfatti, entre outros. Ou seja, praticamente todas as feras do modernismo brasileiro. A visita é guiada e gratuita, e dura cerca de meia hora.  Não são permitidas fotos internas, porque segundo o guia eles não tem o direito de imagem das obras ali exibidas. Vale muito a pena sair um pouco do burburinho do centro de Campos para conhecer o lugar. Mas é bom chegar cedo!


Na parte interna, o solar é o único lugar onde se pode tirar fotos


Parte dos jardins do palácio

Pegamos o carro e nos dirigimos até a:

Fábrica de cervejas Baden Baden

O local tem visitas guiadas à fábrica, mas infelizmente não conseguimos agendar com antecedência. Liguei um dia antes, e já estava tudo lotado. A visita é bem concorrida, portanto vale a pena se programar. Ainda que não se faça a visita, vale a pena visitar a lojinha, que vende as cervejas por preços um pouco melhores do que os encontrados na cidade, além de diversos tipos de lembranças, como camisetas, taças, abridores de garrafa, etc. Tudo com a marca Baden Baden. Vale lembrar que hoje em dia apenas parte da produção das cervejas é feita em Campos do Jordão, já que a cervejaria foi vendida para uma empresa japonesa chamada Brasil Kirin, e deixou de ser artesanal. Por enquanto a qualidade continua a mesma. 


Assim, visitar não visitamos, mas dá pra fazer uma graça

Depois de termos uma manhã bastante cultural, era hora de bater perna pela:

Vila Capivari

Não tem jeito, é o passeio mais clássico de Campos do Jordão. Todo mundo se encontra aqui, nas quatro ou cinco ruas principais que compõem um dos bairros mais chiques do Brasil. As construções são todas em estilo alpino, cheias de charme, com muitas e muitas lojas de artesanato, chocolaterias, bares, restaurantes, lojas de grife, entre outros tipos de comércio. Se sua pegada não for essa, vale escolher um lugar calmo (coisa rara) e ficar apenas observando o vai e vem da multidão. Sim, mesmo já na metade de agosto, quando a altíssima temporada já havia se encerrado, a cidade continuava bem cheia.

Tentamos uma mesa na Cervejaria Baden Baden. Há fila de espera, e acho que já escrevi sobre o que a palavra "fila" causa em nós. Além do mais, em um lugar bacana como a Vila Capivari, acho bem cafona ficar esperando para sentar em uma mesa. As mais disputadas são as mesas do lado de fora, por isso acabamos aceitando ficar em uma mesa interna, apenas para dizer que tínhamos tomado uma ali. Nos sentamos no primeiro andar da casa, bem escondidinhos, tão escondidinhos que nenhum garçom nos viu por cerca de dez minutos. Olhamos o cardápio, e vimos que as cervejas custavam o dobro do que tínhamos acabado de ver na lojinha da fábrica. Então levantamos e fomos embora. Andamos um pouquinho e encontramos o:

Lugui Empório e Chocolateria

Era o único lugar vazio e com mesinhas na calçada. Conversamos um pouco com o atendente, que disse que a loja era nova, e por enquanto só vendia cerveja e chocolate. Não nos fizemos de rogados. Enquanto eu fui ao banheiro Chris achou um chocolatinho com amêndoas (R$ 18 por 100g!) que casou bem com uma cerveja estilo dunkel da cervejaria Campos do Jordão, rival da Baden Baden. Tomem, seus papudos! Chris ainda pôde pitar seus cigarrinhos, e passamos momentos bem agradáveis, recebendo vez ou outra olhares enviesados dos passantes, como que dizendo "como vocês tem a audácia de não se acotovelarem pra tomar uma cervejinha?".


Chocolate? Com cerveja!

Em nossa busca por tipos diferentes de cervejas para minha coleção de rótulos, paramos no:

Armazém Brasil

Um barzinho bem gostoso, com muitas mesas ao ar livre, música ao vivo e preços mais baixos do que na Cervejaria Baden Baden. Ali encontramos uma edição especial de 15 anos da Baden Baden, toda feita com lúpulos brasileiros, o que é bem raro, já que o Brasil ainda não é forte na produção deste ingrediente. Acompanhamos a loira com uma porção de polenta frita, e os bons músicos valorizaram bem os seis reais de couvert artístico que lhes pagamos ao final. No domingo também demos uma passada no bar, por isso as fotos aí abaixo vão ter uma diferença de figurino.


Polenta frita? Com cerveja!


Outro ângulo do mesmo boteco, em outro dia

No campo das comidinhas, vale a pena visitar a:

Sorveteria Campos Gelato

Esta também foi visitada no domingo, mas o relato já vai entrar aqui, já que estou falando da Vila Capivari, onde ela fica. Como tudo em Campos, não é um lugar barato, mas para quem gosta de sorvete vale a pena. Pagamos quinze reais cada um por apenas duas bolas! Há diversos sabores inusitados, e outros mais comuns. Chris foi de tiramisù e paçoca, e eu fui de arroz doce (!) e ferrero rocher. Qualidade excelente, a despeito da facada no bolso.


Sorvete? Com facada! Mas é bão...

Por falar em facada no bolso, há várias chocolaterias na Vila Capivari, muitas delas com fabricação própria. Mas acabamos não tendo coragem de comprar nada. A maioria dos chocolates são vendidos por peso, e o mais barato que encontramos começava em R$ 159,90 o quilo. Convenhamos, é um pouco demais. Portanto só comemos os chocolates citados no Empório Lugui e mais nada.

Também nos arredores da Vila Capivari fica a:

Estação Ferroviária de Campos do Jordão

Há passeios diários para Santo Antônio do Pinhal, mas estava sempre muito cheio e nem nos aventuramos. Aliás, o único motivo de eu colocar aqui este verbete era para ter uma desculpa de publicar a foto abaixo, com minha risonha tentativa de suicídio.


Tola tentativa de se auto-assassinar-se a si mesmo

Pois bem, depois de badalar um pouquinho pela Vila Capivari, fomos visitar o:

Museu Casa da Xilogravura

Uma espécia de mãe das técnicas de impressão atuais, a xilogravura, que utiliza madeira entalhada como matriz de impressão, está representada em mais de 400 obras de diversos artistas, entre eles Lasar Segall. O acervo é particular, e pertence ao professor Antonio Costella, que já deixou em testamento todas a sua coleção para a USP. Além de expor as peças, o museu conta um pouco da história da xilogravura bem como de outras técnicas de impressão que vieram depois, mostrando a importância da técnica para o desenvolvimento da imprensa e da editoração em geral. Para quem gosta do assunto ou é simplesmente curioso, vale a visita. A entrada custa cinco reais, e ao final há uma pequena lojinha com alguns itens à venda.


Xilogravura bonita. E forte.


Apenas e tão somente piriguetando

Voltamos para a pousada, e à noite saímos para jantar no restaurante:

Confraria do Sabor

Esta experiência está relatada com detalhes (ambiente, avaliação, preço, etc) em nosso outro blog, que pode ser acessado aqui.

Domingo - 23/08/2015

Começamos o dia visitando o:

Mosteiro de São João e Convento das Beneditinas

Como convém a um lugar destinado a formar monjas beneditinas, o espaço inspira paz e tranquilidade. Em um reduto no caminho que leva ao Palácio Boa Vista, o mosteiro conta com paisagismo caprichado e muita natureza. Visitamos o lugar logo cedo, e havia uma excursão fazendo uma visita no mesmo horário, com algumas dezenas de pessoas. Nem isso tirou o clima de sossego, uma vez que a maioria dos turistas respeitou o pedido de falar baixo expresso em algumas placas na propriedade. Há uma loja com diversos artigos religiosos e artesanato, além de doces e geléias, tudo feito pelas 27 irmãs que hoje habitam o local. O ébrio aqui conseguiu até mesmo comprar um vinho especial para missas, que será devidamente ingerido em algum momento sagrado. Há também no local a venda de mudas de plantas. Outra atração é o recital de canto gregoriano, que acontece no fim da tarde, e que não chegamos a acompanhar.


Pra não dizerem que somos ímpios


Chris chegou a cogitar a vida monástica só pra ficar aqui

Foi logo depois da visita ao mosteiro que visitamos por dentro o Palácio Boa Vista, já citado anteriormente. Depois seguimos para o:

Horto Florestal (ou Parque Estadual Campos do Jordão)

O parque fica a nove quilômetros do centro da Vila Capivari, em uma estrada que se chama Estrada do Horto, e termina exatamente no horto. Não tem como errar. Durante o percurso até lá, muitos restaurantes famosos da cidade, como o alemão Harry Pisek, além de algumas outras atrações, como o Borboletário Flores que Voam, onde até ameaçamos de ir, mas desistimos por conta do preço salgado de 25 reais por pessoa. Já visitamos borboletários em outros lugares do Brasil, e achamos que não valia a pena.


Na entrada do parque

A entrada custa doze reais por pessoa. O parque fica em uma área muito bonita, com rios e mata preservada. Há espaços para piqueniques e algumas atividades pagas à parte, como tirolesa e aluguel de bicicleta. Há também quatro trilhas abertas ao público. Fizemos a Trilha das Quatro Pontes, a mais curta e fácil delas, com 2 km. Trilha bem gostosa e tranquila, passando por algumas pontes sobre o rio. Pelas indicações do mapa que pegamos na portaria, nenhuma das outras três trilhas é um bicho de sete cabeças, podendo ser feitas por qualquer bancário sedentário.


Chris morrendo de medo em uma das quatro pontes


Macaqueando

O parque também conta com algumas boas lojas de artesanato, além de lanchonetes. Inclusive fizemos um lanchinho rápido por ali, apreciando a bela vista da natureza.


Café? Com cerveja!

Como adoramos uma igrejinha, antes de ir embora da cidade ainda passamos na:

Matriz de Santa Teresinha

Quase todo mundo que vai a Campos vê sua torre azul e branca se destacando no céu quando pega a avenida que leva do portal da cidade até a Vila Capivari. Mas acho que poucas pessoas vão até lá, já que ela fica um pouco afastada das principais atrações da cidade, e não consta nos guias turísticos. Para nós foi muito agradável, especialmente ao descobrirmos que ela é dedicada à Santa Terezinha das Rosas. Canonizada em 1925, é uma santa que a Chris aprendeu a gostar por conta de sua imagem sempre serena, segurando rosas nas mãos.


Selfie? É pra quem sabe


Chris e a santa

Conclusão

A primeira e óbvia conclusão é que Campos do Jordão é uma cidade cara. Como destino de inverno preferido dos endinheirados paulistas, a cidade se elitizou bastante nos últimos tempos. No final dos anos 90 minha mãe chegou a ir até a cidade apenas para comprar roupas de frio por preços mais em conta. Hoje ela iria à falência se o fizesse. Encarecer tudo é uma forma de filtrar a frequência e assim se livrar de um certo tipo de turismo, considerado indesejado aos olhos de seus principais frequentadores. Muitos vão ali única e exclusivamente para ostentar, e isto muitas vezes é ainda mais brega do que o tipo de turismo ao qual me referi anteriormente. Mas estas são apenas conclusões minhas, embora difíceis de serem refutadas.

Dito isto, é claro que a cidade tem encantos e é charmosa. É preciso tomar cuidado com suas armadilhas, e fazer algum esforço para sair um pouco do circuito da Vila Capivari. Há muitas belezas que a natureza privilegiada da região oferece, sem que se precise gastar muito. E também boas atrações culturais, com possibilidade de ver obras de grandes artistas brasileiros.

Se não bastassem estes atrativos, a cidade ainda oferece as cervejas das marcas Campos do Jordão e Baden Baden que...bem, não são fabricadas ali. Mas a gente finge que são. Ser turista às vezes exige deixar pra lá o espírito crítico e simplesmente ser feliz. Com uma deliciosa cerveja tudo fica mais fácil.

O boneco de neve no Mosteiro de São João











segunda-feira, 29 de junho de 2015

Sorocaba, para ser vista de cima



A viagem

Cidade: Sorocaba
Data: 29 a 31/05/2015

Sim, claro que há lugares melhores para se visitar em um fim de semana no estado de São Paulo. Mas com passeio de balão? Bem, não são tantos assim. Com passeio de balão e zoológico? Consultando meus arquivos mentais, acho que é um caso único em um raio de 300 km de onde habito, em São José dos Campos. Portanto, para dar para a Chris de presente de aniversário um passeio de balão que era seu sonho, e ainda poder visitar um zoológico de presente para mim, a escolha certa era Sorocaba. É fato, não há muito mais para se fazer na cidade. Mas com Itu ali pertinho, tivemos uma belo fim de semana, que relato a seguir.

Como não há grande quantidade de atrações, vou fazer o relato por ordem cronológica, e ao final fazer um adendo sobre a cidade de Itu,  que também visitamos quando voltávamos para casa.

Passeio de balão

Chris sempre disse que era seu sonho passear de balão. Eu sempre refuguei. Medo do cacete. Um troço que não tem leme, nem nada parecido, apenas voa ao sabor do vento. Uma poesia louca, mas e a segurança? Medo do cacete. Mas, enfim, amor é amor, né? Daí que eu acertei tudo com o Ricardo, da empresa Céu Vôo de Balão, em Sorocaba, mas não falei nada para a presenteada. Nem sequer para onde íamos. Saímos na sexta-feira dia 29/05, e eu não queria ir por São Paulo, por medo de trânsito. Fomos pela D. Pedro, e foi a Chris que pilotou o GPS. Apenas fui dizendo para ela que queria chegar a Jundiaí, depois que queria chegar a Itu, depois que queria chegar a Sorocaba. Quando falei esta última cidade ela já disse "Hmmm, lá tem passeio de balão". Aí acabei contando, porque ela já tinha matado a charada.

Quem quer passear de balão tem que estar disposto a acordar cedo. Colocamos nosso despertador para as 5h40 da matina. Não é horário de gente, convenhamos. O combinado era estar às 6h30 no Hotel Fazenda Pitangueiras, de onde sairia o passeio. Chegamos lá na hora certinha, até porque nem tomamos café. Descobrimos então que o Ricardo já pede pro pessoal chegar com certa antecedência, talvez temendo atrasos, já que ainda ficamos um bom tempo por ali antes de ele nos chamar.



Agora calcule o frio

Antes do passeio, Ricardo dá algumas instruções sobre os procedimentos de vôo, inclusive em caso de pouso com vento forte, quando existe chance de o cestinho virar no chão. Ele também explica o porque de o passeio ser tão cedo: tem que haver uma diferença de setenta graus entre a temperatura interna do balão e o ar do lado de fora. Por isso, quanto mais frio, mais fácil de o balão subir, e menos gás propano se gasta. Outra coisa interessantíssima: este meio de transporte foi inventado por um padre brasileiro chamado Bartolomeu de Gusmão. Nada a ver, como Ricardo fez questão de frisar, com aquele outro padre que encontrou a morte em 2008, depois de tentar viajar com mil balões de festinha de aniversário.

A espera foi agradável, já que o hotel é muito bonito, e o sol nascendo é coisa que um dorminhoco como eu viu poucas vezes na vida. Mas ver aquele cestinho de vime e aquele pedaço de lona e saber que dali há pouco tempo eu estaria voando neles me deu um baita frio na barriga.



Inflou. E voa mesmo?

Antes de iniciarmos o vôo, nosso condutor perguntou se era nossa primeira vez. Fazíamos o passeio com mais um casal, e todos nós respondemos que sim. Ele então emendou: "é minha primeira vez também". Engraçadinho, não? Aliás, a equipe toda (existem mais três pessoas que ficam em terra e seguem o balão) é muito simpática, e faz de tudo para que todos fiquem bem à vontade e tranquilos, brincadeiras à parte.

Levantar vôo talvez seja o único momento com alguma tensão para quem nunca voou de balão. Rola um certo frio na barriga, mas passa rapidinho. É tudo muito, muito suave. É como se fôssemos urubus aproveitando uma corrente de ar e flutuando enquanto observamos o mundo lá embaixo. Voamos baixo, porque o vento naquele dia estava melhor por ali. Ao contrário do padre desastrado, um balonista sério sabe exatamente a que altura deve voar para conseguir mais ou menos a direção que deseja.



Bem, já tiramos a foto, podemos ir embora, não?


Voar não é só para os pássaros


Nós também podemos

Como nossa altitude não era muito elevada, dava para ver direitinho as pessoas que moram próximo à estrada que sobrevoávamos. E ficamos nos sentindo como estrelas de cinema, já que todos nos acenavam, especialmente as crianças.

Como fato inusitado tivemos o pedido de casamento feito pelo rapaz à sua noiva, durante o vôo, pedido este que eu acabei filmando, porque pouco antes ele havia me dado seu tablet me pedindo para fazer algumas imagens. Eu já estava achando ele meio folgado, porque eu estava perdendo o passeio para filmá-los, mas foi por uma causa nobre. Logo após o pedido, Ricardo abriu um espumante, e todos brindamos lá no alto.



Nosso café da manhã

A descida também foi bastante suave, e se deu na cidade de Salto, a cerca de quarenta quilômetros de Sorocaba. Durante o trajeto o restante da equipe foi nos seguindo com os veículos terrestres, para nos "resgatar" no local do pouso. O passeio todo durou por volta de uma hora. Na volta ao Hotel Fazenda Pitangueiras, há um belíssimo café da manhã incluso no preço do passeio, que fecha com chave de ouro uma experiência que eu achava que seria estressante, mas que se mostrou, ao contrário, extremamente relaxante. Chris também adorou, e isto era o mais importante neste caso. 


Em terra firme, momento de desinflar

Por conta de ter sido um presente, não vou dizer o preço do passeio, apenas dar o link do site da empresa. Basta clicar aqui, e ir voar!

Jardim Zoológico Quinzinho de Barros
 

Não vou chegar ao ponto de dizer que é melhor do que o zôo da cidade de São Paulo. Mas, até mesmo por ser menor, tem condições de dar muito mais atenção a todos os seus animais. E isto se reflete nos recintos e também nas placas explicativas, ponto em que se sobressai por fornecer muitas informações relevantes e curiosas sobre todos os seus "moradores".


Entrada do zôo

Além de todos os animais que estão dentro de seus recintos, há também muitos pavões soltos pelo parque, o que é uma forma fantástica de embelezar o passeio de maneira natural. É como se os pavões fossem peças decorativas que se movem. 


Um dos muitos pavões soltos pelo parque

Um dos destaques do lugar são os lêmures, pequenos primatas nativos da ilha de Madagascar. Para quem gosta de desenhos, é só lembrar do Rei Julian, o figuraça da série de longas metragens homônima à ilha. Eles são bem difíceis de serem vistos em zoológicos no Brasil.


Chris observando o Rei Julian

Ainda no campo dos desenhos animados, chamam a atenção os sempre simpáticos suricatos, que são da espécie do inesquecível Timão, do filme O Rei Leão. Chris, que adora os bichinhos, ficou um tempão olhando eles se movimentarem e prescrutarem o ambiente, como lhes é característico.


Chris e os simpáticos suricatos, ou suricatas

Outro belíssimo recinto é aquele destinado às ariranhas, animais brasileiros que são parentes das lontras. Sabedores da enorme habilidade de nadar que estes animais possuem, os administradores do zôo trataram de fazer um tanque em que os visitantes pudessem avistá-los debaixo d´água, fazendo o que sabem fazer melhor. Demorou, mas eu consegui tirar uma foto de uma delas dando as suas braçadas.


Fiquei uns dez minutos sentado no chão, mas valeu a pena

Na área dos grandes felinos o zôo está servido com os mais famosos deles: tigres, leões e onças-pintadas. Todos os recintos são bastante espaçosos, proporcionando conforto e bem-estar aos animais, que parecem estar em excelente estado de saúde e ãnimo. Claro que isto não impediu os leões de ficarem o tempo todo dormindo, preguiçosos que são. Mas as onças-pintadas compensaram a letargia de seus "primos".


Chris come pipoca e vê suas "ídalas"

Dentro dos limites do parque também está o Museu Histórico Sorocabano, com várias peças e objetos antigos que contam um pouco da história da cidade. Do lado de fora do museu está também um antigo vagão da companhia de trens da região.


Entrada do museu, que fica dentro do parque

O zôo é pequeno, mas fizemos uma visita bem detalhada, e ficamos ali por cerca de três horas. Lemos todas as plaquinhas de identificação, comemos um lanchinho (bem mequetrefe), voltamos para ver os animais de que mais gostávamos e tivemos um passeio muito agradável. Recomendado para os apaixonados por animais e zoológicos, como eu, mas também para os nem tanto, como a Chris. Ah, claro, e para todos que tem filhos pequenos, que vão adorar ver seus personagens favoritos em carne e osso.

Mercadão do Campolim

Aos sábados dá pra comprar artesanato local em barraquinhas que ficam montadas nos corredores do mercado. Há algumas lojas, mas claro que aquela que mais gostamos (ou melhor, que eu mais gostei) foi o Cervejário, um misto de barzinho e loja de cervejas. Há diversos rótulos de vários países, mas também muitas cervejas fabricadas em Sorocaba ou na vizinha Votorantim. Claro que foi nestas que eu me foquei para beber e para trazer para casa.



Tomamos a azulzinha, e trouxemos todas as outras

Padaria Real

Tem uma coxinha de frango com catupiry famosa, e nosso objetivo ao visitá-la era justamente comê-la. Em seu livro Diário de um Magro, o escritor Mário Prata cita esta coxinha, o que ajudou em sua fama (a da coxinha). Para escrever este livro, Prata ficou em um spa em Sorocaba, e as coxinhas da Padaria Real eram motivo de subornos por parte dos internos do spa, para que funcionários lhes trouxessem a iguaria. Fomos tirar a prova e de fato é uma delícia. Consegue ser leve e agradável, ao contrário da maioria das coxinhas de frango, ainda mais com catupiry. Até a Chris, que não é fã deste queijo, adorou.



As deliciosas coxinhas

Restaurante La DOC Gastronomia
 

Detalhes deste jantar (preço, avaliação, etc) em nosso outro blog, aqui.

Passeio para Itu
 

Até havia mais algumas coisas para fazermos em Sorocaba, mas eram passeios ao ar livre e o domingo amanheceu bastante chuvoso, de modo que achamos melhor passear por Itu, que fica a quarenta quilômetros de distância.


Acho que não funciona

Quase todo mundo conhece Itu como a cidade dos exageros. Ela ganhou esta fama por conta de um personagem chamado Simplício, do antigo programa humorístico Praça da Alegria, que dizia que tudo na sua terra era grande. Sua terra, claro, era Itu. Hoje o orelhão gigante, visto aí acima, é o ponto turístico mais famoso, mas há também o semáforo gigante, além de muitos souvenires vendido nas lojinhas do centro que capitalizam em cima da fama da cidade. Há de um tudo: lápis, absorventes, clipes, viagras, baralhos, tudo em tamanho extra grande. 


Este funciona, como se vê pelo carro parado à sua luz vermelha


Um violãozão, e lá dentro dá pra ver os lápis à venda

A cidade também tem muitas igrejas, chegando a ser conhecida como "Roma brasileira". Pena que os horários de visitação são um pouco erráticos, e não conseguimos conhecer muitas delas.

Outro bom motivo para visitar a cidade são seus antiquários, quase todos distribuídos pela Rua Paula Souza, no centro histórico. São muitas opções, e vale a pena entrar nas lojas, nem que seja só para espiar, como nós fizemos. É como visitar um museu, com a diferença de que as exposições estão à venda. E por preços que por vezes são assustadores. É a tal história: um vaso ordinário que você tem em casa hoje pode não valer muita coisa, mas enterre-o por mil anos anos e você terá uma relíquia.

Visitamos também o Museu da Energia, bem fraquinho, que se propõe a mostrar um pouco da história da energia elétrica. Mas o acervo é pobrezinho, e não há muitas explicações. Uma pena.


Para nos despedirmos da cidade, fomos até a Praça dos Exageros, que, como o nome indica, possui algumas estátuas e construções em tamanho exagerado. Uma delas retrata o humorista Simplício sentado no banco da praça.


Simplício com a camiseta do Ituano, e ao fundo o super caixa eletrônico, bicho

Conclusão
 

Sorocaba não é uma cidade com perfil turístico. Carece de um pouco de charme, e de mais atrações. Mas a dupla "passeio de balão + zoológico" rende um belíssimo dia de diversão. Por conta da chuva, acabamos não conhecendo a Floresta Nacional de Ipanema, outra atração da cidade. Mas tanto o instrutor do passeio de balão quanto o casal que passeou conosco falaram que vale muito a pena conhecer. Portanto, não é um absurdo reservar um fim de semana para conhecer a cidade, que não é tão badalada mas tem lá seus encantos. Nem que para vê-los você tenha que ir lá pro alto. 

Mais uma de nós "avoando"